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Dantalian no Shoka – Indicação: Mistério com um pouco de Ocultismo

Olá a todos, aqui é seu querido e amado AdminTB, trazendo a indicação do anime Dantalian no Shoka, que é uma obra um tanto quanto psicológica, com um pouco de gore e repleta de ocultismo. Certeza que vocês vão curtir. Veeeenham!

Dantalian no Shoka – Indicação: Mistério com um pouco de Ocultismo

Estava eu aqui tentando pensar num anime “meio desconhecido” mas muito bom para os amigos, e acabei lembrando de Dantalian no Shoka. Como pretendo fazer mais algumas indicações no decorrer dos dias, e como esta aqui estava à mão (tinha postado ela no blog nerdpobre), resolvi trazer pra cá.

Sei que meus amigos e minhas amigas, leitores e leitoras aqui do blog, estão acostumados com minhas reviews, críticas, análises, textos longos e completos sobre os animes e tals, mas nas indicações só vou trazer textinhos rapidinhos. Saca uma rapidinha?

Pois então. Vem comigo.

Sinopse “by my memory”

Eu vou fazer uma sinopse meio “made by my memory” então já sabem. Dantalian conta a historia de Hugh Anthony Disward, que se bem recordo, havia voltado da 1ºGG. Ele vinha cuidar de uma mansão deixada para ele pelo seu querido avô. Contudo, lá ele também encontra a misteriosa Dalian.

E a chave da mansão na verdade não abre nenhuma porta… ela abre um portal que vai direto para a “Biblioteca Dantalian” a qual, a pequena Dalian é a guardiã. Mas para acessar a tal “Biblioteca Mística” e assim usar os poderosos livros ocultos, ele precisa “abrir” o portal… Portal que é nada mais nada menos o coração da pequena moça.

Comparações e/ou Referências

Essa cena e imagens, para quem viu, faz recordar tanto de Guilty Crown da linda Inori, como também de Gosick. Mas Dantalian conta mistérios, alguns em volto sobre as outras “bibliotecas místicas”, e vamos dizer que eles têm um tom mais “ocultista” que os animes citados. Eu até poderia dizer o que significa a palavra “Dantalian”, mas sei lá, rs.

Bom… como eu sei que o pessoal deve ter ficado meio curioso… Dantalian (para quem gosta de ocultismo) se trata de um grande e poderoso demônio do inferno. Meio que é como se ele fosse um “demônio do conhecimento”, porque ele pode ensinar várias artes e ciências.

E isso acabar tendo a ver com a própria Dalian, guardiã da sua biblioteca e detentora de vários tipos de artes e segredos poderosos — sempre com o pensamento de permitir que apenas “poucos” tenham acesso à sua vasta biblioteca mística. Mas calma, tem medo não, a história de Dalian é só anime rs.

Conclusão

Anime de mistérios, poderes místicos, muito ocultismo e gore em volta ao período “Pré-Segunda Guerra Mundial” — e quem é afinal de contas, a linda Dalian, e porque ela não envelhece? Uma pena só o anime não ter ganhado segunda temporada. Teria sido interessante ver como os livros místicos mudaram o curso da 2GG.

Se eu for dar algum destaque para o anime, deixo palavras especiais ao alto nível de gore em alguns episódios (hehe) e a relação entre a Dalian e o Anthony. As cenas de ação sensacionais, e há um episódio aonde temos uma espécie de máquina humanoide… não vou falar muito para não dar spoiler.

É isso pessoal, eu me despeço por aqui. Espero que tenham curtido essa minha primeira indicação e aguardem, porque já tenho alguns animes em “ponto de bala” para postar no site. Sempre nessa vibe: textinhos curtinhos, só para deixar o gostinho de quero mais para ver o anime.

Abraços!

ps: Sim eu não falei que o anime tem lolis.

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O Estrangeiro de Albert Camus – Indicação: O No-sense e a Indiferença do Mundo

Finalmente estamos terminando mais uma série de indicações de literatura. E no fim, vamos falar um pouco do livro O Estrangeiro de Albert Camus. Nessa indicação abordamos um pouco de no-sense (sem sentido) e da indiferença. Boa leitura a todos!

O Estrangeiro de Albert Camus – Indicação: O No-sense e a Indiferença do Mundo

O estrangeiro Albert Camus

Mas seu AdminTB, como você conheceu O Estrangeiro de Camus? Alguém pode chegar para mim de repente, e me perguntar. A resposta é que como vocês sabem (ou não), eu faço filosofia, então certo dia um professor de ética resolveu abordar a leitura deste livro na sala de aula.

Fizemos (cada um de nós) um artigo de algumas páginas, mais ou menos uma resenha sobre ética e o livro escolhido — como vemos, abordei O Estrangeiro. OBVIAMENTE que não farei aqui uma resenha enorme e sim uma leve indicação, abordando os temas que considero mais relevantes no livro.

Mas primeiro… A Sinopse!

O estrangeiro Albert Camus 2

A estória gira em torno de Mersault. Um homem com uma vida mediana, que logo no começo do livro, enquanto ainda namorava Marie (da qual recebeu uma proposta de casamento) acabara de saber que sua mãe morreu. Mas Mersault… era diferente. Na verdade ele somente soube que sua mãe havia morrido — e assim como na proposta de casamento de Marie, tomou o ocorrido com sua costumeira indiferença.

Vou falar de três assuntos aqui nesta indicação: Indiferença, No-sense e Ética (mais precisamente, como vemos e nos damos ao encontro com o outro, se com comportamentos habituais, ou seja, com atos que todo mundo espera, ou se simplesmente, alheios a tudo).

A Indiferença

O estrangeiro Albert Camus 4

Sobre a indiferença, Mersault era realmente um cara alheio. Sabe,  uma pessoa que “se algo não me afeta ou não sinto que não me afeta, então tanto faz”. Ele sempre foi assim para com tudo e todos, e nunca ligou para muita coisa. Foi com indiferença que ele recebeu a proposta de casamento, foi com ela que recebeu a noticia da morte de sua mãe.

Não quer dizer que não amasse as duas (Marie e sua mãe)… Eu de cá tenho minhas suspeitas. Mas de certo pouca coisa lhe afetava.  Aliás, somente coisas que ele percebesse na hora, sentimentos que lhe sobreviessem como de sobressalto, algo que o fizesse acordar…

No-sense (sem sentido)

O estrangeiro Albert Camus 3

Foi o que acabou acontecendo. Ele foi pego num “acaso”, e diante do mesmo, ele mata um homem. A explicação que ele nos dá é: “matei por causa do sol”. No-sense. Eu abordei o assunto na Review do Anime de Suzumiya Haruhi, quando simplesmente acontecimentos sem sentido algum, sem uma razão aparente — ou discernível — nos levam a agir de forma alheia ao outro.

Se Mersault não se afetava com (quase) nada, mas simplesmente com acontecimentos que ele mesmo não poderia prever que ocorressem, como o sol que muito forte lhe ofuscou (foi no afã do momento que ele matou o homem). Acontecimentos assim ocorrem. Como matar porque se quer o lápis de volta, ou porque bateram no seu carro, e você descontroladamente (tem um revolver) o saca e atira.

Eu poderia até dizer “sem controle”, mas o termo bom mesmo é “sem sentido”. Algo que nos leva a agir por instinto, sem compreensão. Aonde simplesmente compramos certo sentimento que nos toma de sobressalto. E como eu disse por ser alheio, acaba sendo natural agir fora do habitual, fora do esperado no âmbito ético para com o outro.

A indiferença é do mundo para conosco, de nós para com o mundo

Monólogo O Estrangeiro, com atuação de Guilherme Leme e direção de Vera Holtz feito em 2012.
Monólogo O Estrangeiro, com atuação de Guilherme Leme e direção de Vera Holtz feito em 2012.

É natural que logo Mersault além de preso, fosse finalmente julgado “moralmente” pela sua indiferença. Porque não sentiu a morte da mãe, ou pelo fato de parecer realmente não amar Marie (ou até amasse, só que casar era algo que não o afetava, nem que sim, nem que não).

Era como se finalmente a sociedade acordasse de quem era Mersault e iniciasse a julgá-lo não apenas pela morte, mas por ele pouco cuidar do outro. E assim ela mesma, sem entendê-lo, sem entender suas crenças e disposições diante do mundo, tratou-o finalmente com indiferença, tornando ele, alheio, sozinho diante do mundo.

Conclusão

Albert Camus
Albert Camus

Vejo uma metáfora aí. Na verdade este acordar diante do outro (da sociedade diante de quem era Mersault) me recorda de Edward Mãos de Tesoura, quando finalmente todo mundo percebe que o Edward poderia sim, ser perigoso, fora do comum, do habitual — como Mersault agia e pensava.

Acho que é como se Camus nos falasse (peço licença aos sabedores do tema) que nós todos, somos alheios ao outro, ao nosso próximo. Nós todos não nos importamos realmente em conhecer quem é a pessoa ao nosso lado, porque simplesmente não conhecemos realmente, quem nós somos. Todos nós somos indiferentes ao outro, e sim, agimos por simples conveniência, por simples hábito — pelo que é esperado.

E quando confrontados, quando diante daquilo que não nos é habitual, nos afastamos, repudiamos simplesmente. “Pode-se dizer, que parece ser Mersault o próprio mundo, o qual quando ambos se olhando no espelho, não se compreendem, porque agem sem se compreender.”

É isso pessoal. Espero que tenham gostado e leiam o livro!
Abraços!

Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa – Indicação: Um Épico no Sertão Brasileiro – “O Sertão é do tamanho do mundo”

E cá vamos nós para a indicação deste clássico, deste épico da literatura brasileira chamado Grande Sertão: Veredas, do genial João Guimarães Rosa. Espero que gostem do texto e que leiam essa obra magistral e filosófica!

Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa – Indicação: Um Épico no Sertão Brasileiro – “O Sertão é do tamanho do mundo”

grande sertão veredas guimarães rosa 2

Vou mentir para vocês não meus queridos amigos, é preciso uma certa dose de coragem para falar dessa obra. Isso porque estou indicando uma das melhores obras que já pude ler. Mas devo advertir, que vou somente dar uma pincelada e tratar um pouco do sentido da obra — como sempre, Indicar uma das melhores obras de nossa literatura.

A primeira coisa que devo contar foi que li esse romance há mais de 5 anos, então caso a memória falhe né? A segunda é que este foi um dos livros que sempre quis ler, e graças a Deus o recebi de presente de uma grande amiga minha. Agora sim…

Primeiro a Sinopse “by my memory”

grande sertão veredas guimarães rosa 3

De modo geral, Grande Sertão: Veredas, é uma história literalmente contada pelo antigo jagunço Riobaldo, a uma certa pessoa que chega de repente na sua fazenda. Ele começa a contar um pouco da sua vida como jagunço, seus amores, dissabores, suas lutas e principalmente as suas percepções sobre o sertão: “O Sertão é do tamanho do mundo“.

Sobre as andanças dele, temos alguns personagens marcantes como o “Compadre meu Quelemém”, Joca Ramiro, Hérmogenes e principalmente Diadorim. Conta com muitas “cenas de ação”, passagens puramente de sabedoria, reflexões sobre o mundo, a existência: sobre a vivência de fato.

Sabemos então, que Grande Sertão é Riobaldo contando para nós, como foi a sua vida no sertão, como ele a vivenciou e o descobriu. Nos contando a partir do fluxo de suas memórias. Atente sempre que ele fala para “quem chega na sua fazenda”: ele conta para o amigo, para aquele que se torna seu amigo com o passar das paginas, Riobaldo conversa conosco.

Vamos para três pontos que gostaria de destacar em Grande Sertão: Veredas que mais considero importantes.

A Língua

grande sertão veredas guimarães rosa  travessia

Grande Sertão começa com “NONADA” (que quer dizer “Não é nada não”). A linguagem do romance é extremamente difícil, como se fosse de um português arcaico: mais ou menos o mesmo falado no sertão de Minas-Bahia-Goias, que é aonde a história é narrada. Destaco a linguagem porque tenho certeza que não só para mim, mas como para qualquer pessoa, ela é como se fosse o primeiro susto que temos ao ler o livro.

Com o tempo, e vou dizer, com persistência, vamos entendendo aos poucos o que Riobaldo nos conta, e a “língua” que ele fala. Língua que não é nada errada, pelo contrário.

Na verdade é cíclica, poética, musical. Com o passar da leitura, a sua conversa vai ganhando forma na mente do leitor: ganhando melodia. Isso porque o que Riobaldo, o que Guimarães Rosa nos fala não é um livro comum, mas sim um livro…

Épico

Veredas
Veredas

Grande Sertão: Veredas é um ÉPICO. No forte sentido do termo. Cada palavra, cada situação, cada vivencia que Riobaldo nos conta — desde ele falando do céu estrelado do sertão, da existência do diabo (“O demônio na rua, no meio do redemunho.”), da dificuldade da vida, de como é difícil e perigosa vivê-la e do amor descomedido e mesmo assim escondido.

Do passar dos lugares, das explicações e sentidos profundos que pequenas coisas tomam, como por exemplo, o que são “veredas”? Como cada pessoa vivencia o mundo e a sua realidade, aonde o “Sertão: é dentro da gente”. Como sentimos cada qual, o que passamos, o que vemos, o que realizamos enquanto tal — no descobrir do mundo e no desvelar de nós mesmos.

E do Mítico

grande sertão veredas guimarães rosa 1

Daquilo que não se sabe, do mistério, dos personagens que simplesmente não falam, mas aparecem para aconselhar (o Compadre Quelémem que em nenhum ponto do romance “fala”, mas é sempre citado como um sábio da doutrina de Cardeque, entendido dos espíritos). E das pessoas que marcam nossas vidas, como foi decisivo para Riobaldo admirar Joca Ramiro na condução dos Jagunços.

Lembrando, por exemplo, quando falei do uso da razão de Ulisses e o comparei com o Batman, e também da deusa Athenas que o ajudava por ser justamente racional… Mas aqui, são as reflexões de Guimarães que eu arrisco, escaparem do mítico: “Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver”.

Na verdade o mitológico, o inexpugnável, ou o simplesmente o inexprimível dentro do universal, toma total completude quando é sinceramente evidenciado e vivido por aquele que o compreende — quando se entende que a vida é um continuar difícil, de que viver é perigoso e de que amar…

…Amar às vezes é sem explicação

Diadorim...
Diadorim…

Eu lendo as reviews sobre Grande Sertão: Veredas, até para lembrar dos nomes de alguns personagens, vi que algumas tentaram “racionalizar” a obra, dividindo ela nos períodos de vida do Riobaldo e esquecendo de detalhes importantíssimos. Enquanto outras, que lembraram dos detalhes críticos mas falharam ao meu ver, por não explicarem o quão eles foram importantes.

Não vou aqui dar detalhes, mas por exemplo, Diadorim é um dos personagens mais densos, profundos e marcantes da literatura brasileira. Eu realmente queria dar spoilers… Mas digamos que ele é tão importante quanto uma Capitu. Diadorim é vivo, representativo do belo mas principalmente: a sua motivação é uma vingança.

Enquanto isso, Riobaldo simplesmente trabalha como jagunço e depois de muitas lutas por ter um tiro certeiro como o de um carcará, ascende e se torna líder do bando. Daí suas reflexões mais profundas sobre a encarnação do mau (“o diabo, na rua, no meio do redemunho… “) mas por saber que o homem é em si este mal na aparência: quando o momento acontece e o mal se desfecha.

Mas Diadorim está lá, marcante na vida de Riobaldo, mesmo que no fim o épico tenha um final digno de obras românticas — enleado a um mistério profundo que se descobre justamente, próximo do final. O clímax é a resolução do mistério, o realizar da vingança, junto ao constante descobrir de si e do (no) mundo de Riobaldo, que perpassa toda a obra.

Conclusão

grande sertão veredas guimarães rosa desenho

Eu discordo dos revisores. Primeiro, Guimarães Rosa nos brinda com uma obra não apenas “não linear”. Riobaldo vai se lembrando dos fatos de forma associativa, um caso após o outro, seguindo o fluxo do seu sentimento e o redescobrir ao rememorar. Ou seja, os fatos surgem diante da importância deles, seguidos pelo entendimento e compreensão do Riobaldo.

Segundo, ele nos conta o que aconteceu na sua vida já velho. Riobaldo provavelmente não tinha a sabedoria para entender tudo o que aconteceu na hora que aconteceu — mas as suas reflexões, as de Guimarães Rosa, tomam também o corpo, profundidade e entendimento porque ele já é um sábio, um homem experiente.

grande sertão veredas guimarães rosa

É porque ele é experiente no momento que nos conta, que vemos o descobrir da juventude, junto ao redescobrir de agora, mais velho: um entendimento filosófico e de vida presente em Grande Sertão: Veredas — Guimarães Rosa era um gênio.

Por fim, digo que é uma obra assim, que apesar de ser difícil no começo pela linguagem, vale MUITO a pena você ler. É um livro que fala de vivencia, de se descobrir na vida — uma obra de característica ontológica, filosófica mesmo. Tenho certeza que você amigo/a leitor/a vai se emocionar e aprender muito com ela — se redescobrir enquanto lê.

Um abraço e boa leitura!

Fontes:

Passeiweb [Link]
Wikipedia: [Link]

O Poço e o Pêndulo e outros Contos de Edgar Allan Poe: Indicação de alguns dos melhores Contos de Suspense!

Então quer dizer que você gosta de contos de suspense né? Seja bem-vindo/a a esta indicação de alguns dos melhores contos do mestre do suspense: Edgar Allan Poe. Começando claro, com o Poço e o Pêndulo!

O Poço e o Pêndulo e outros Contos de Edgar Allan Poe: Indicação de alguns dos melhores Contos de Suspense!

edgar alan poe o poço e o pêndulo

Cá estamos para falar um pouco do grande escritor Edgar Allan Poe! Vou revelar a vocês que desde antes de eu fazer filosofia, que eu queria ler o conto O Poço e o Pêndulo — grande motivo por causa da música King of Terros, da banda de heavy metal Symphony X. Você pode ler uma review do álbum V: The new Mythology Suite dos caras seguindo o link.

Pois é, a música foi inspirada no conto, eu ouço metal… mas por acasos e acasos eu só vim ler o conto agora, em pleno 2015! Ocorreu que eu fui comprar uma revista em quadrinhos do Chico Bento Moço para uma ex-minha, e como fiquei morrendo de vergonha… vi um compilado de contos do Edgar Allan Poe chamado “A Carta Roubada e outros histórias de crime e mistério” da editora L&PM Pocket e comprei.

A Carta Roubada e outros histórias de crime e mistério", Editora L&PM Pocket.
A Carta Roubada e outros histórias de crime e mistério”, Editora L&PM Pocket.

Torci para chegar em casa e ter o Poço e o Pêndulo — graças aos céus ele está neste compilado. Como sou um cara legal resolvi pegar 3 contos do mestre e fazer uma indicação para vosmicês. Começando claro por…

O Poço e o Pêndulo

edgar alan poe o poço e o pêndulo 2

O que dizer em? Na realidade, a coisa que mais senti ao ler a maioria dos contos deste livro, é que Poe é um cara racionalista. Sim… muito racional direi mais. Falando do conto, se trata de uma pessoa que foi pega pela inquisição e que vai ser torturada até a provável morte.

Conta com passagens sensacionais, como o acordar do preso numa sala completamente escura e um poço profundo bem no meio (aonde ele tateando o lugar em meio ao breu quase caiu). As paredes são meio metálicas e lá ele fica preso por um bom tempo. Depois ele é amarrado a uma mesa enquanto ratos passam pelo seu corpo — porque ele escapa das primeiras tentativas de morte de seus algozes.

King of Terrors, Symphony X — melhor trilha sonora impossível!

Cara… o conto é um show da racionalidade humana. De como manter auto-controle, de racionalizar cada pedaço do lugar, pouco a pouco. Do que fazer a cada vez que os inquisidores mudam seus métodos de tortura.

É um verdadeiro primor do suspense — e da razão! Se você gosta de obras aonde a racionalidade se esmiúça para escapar da morte, este é o seu conto! E… será que ele escapa vivo dos inquisidores?

A Queda da casa de Usher

edgar allan poe a queda da casa de usher

Esse daqui eu digo que é tão suspense, ou até mais do que o Poço e o Pêndulo. Na verdade, a estória tem um suspense “em crescendo” bastante interessante e termina num verdadeiro assombro do impensável. Uma personagem resolve visitar um amigo de há muito, que está doente. A casa é terrivelmente sombria, dando para um lago esmo e solitário.

O tal amigo ainda vive com a irmã — ambos parecem doentes e amortalhados. Enquanto fazia a visita a irmã do amigo morre; e o tal amigo resolve colocar o caixão dela ma parte de baixo da casa, aonde tem uma porta de metal muito grosso. Ambos deixam lá a caixa fechada.

Depois de um tempo, numa noite sombria e tépida, com a chuva e ao redor. Sempre se ouvindo estampidos e sons que parecem vir de dentro e não de fora… ambos se encontram e começam a ler para tentarem esquecer daquelas macabras batidas.. quando seu amigo revela-lhe um segredo…

Final realmente inesperado não pelo segredo ou que se segue ao segredo, mas porque a alegoria da queda da casa se torna real. Suspense demais e indicação certa!

O Barril de Amontillado

edgar alan poe o barril de amontillado

Eu sinceramente pensei em falar da A Carta Roubada no final, para dar uma amenizada… Ou então do conto sensacional chamado William Wilson, porque ambos representam bem o estilo racionalista, o crescendo e o final sempre em clímax que foram as principais características dos contos que li de Allan Poe até agora.

Mas como estou ouvindo ainda a King of Terrors, vou ficar com outra história de suspense e com final “assustador”. Aqui se trata de um conto de vingança. Um certo homem não aguenta mais as pilheiras de seu amigo. E em meio a festa (carnaval se bem lembro) ele resolve aprontar um ato de extrema… covardia é a palavra.

Com seu amigo bêbado da festa e as pessoas comemorando mal se dão conta que ambos, deixam o local para ir até a parte aonde ficavam os vinhos da casa — ambos tinham muito dinheiro e o vingativo levou-o citando uma desculpa de que “Alguém disse que tal vinho era melhor que o outro… Será que você sabedor que é, consegue me dizer qual o melhor?”.

edgar alan poe o barril de amontillado 2

Com este engodo, o vingativo o leva até a parte mais profunda da cripta aonde os vinhos são guardados, sempre o enganando com conversas bem pensadas para o primeiro se sentir necessário e bem quisto… quando de repente… O resto só você lendo! rs

Interessante citar nesta história que o herói, ou melhor dizendo, o protagonista é o amigo vingativo. Então… Você torceria por ele, para que seu plano macabro dê certo, ou para que o amigo enganado escape?

Conclusão

The Odyssey, Album que tem a música King of Terros, inspirada no Poço e o Pêndulo.
The Odyssey, Album que tem a música King of Terros, inspirada no Poço e o Pêndulo.

E aqui me despeço pessoal. Espero que curtam e que leiam os contos de Edgar Allan Poe que são ótimos exemplos de suspense, crescendo e clímax, junto sempre a uma atmosfera racional aonde aquele que melhor analisar as situações consegue se dar bem.

Abraços!

Memorial do Convento de José Saramago – Indicação: Um Padre Voador, um Soldado Maneta e uma Médium – O que é Literatura Fantástica?

Bem-vindos meus amigos a mais uma indicação de romance e boa literatura do Afontegeek. Hoje falaremos um pouco da obra Memorial do Convento, do grande José Saramago: porque literatura fantástica é sim um assombro do maravilhoso!

Memorial do Convento de José Saramago – Indicação: Um Padre Voador, um Soldado Maneta e uma Médium – O que é Literatura Fantástica?

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E cá estamos em uma das nossas já clássicas reviews/ indicações de literatura. Isso depois de alguns meses das últimas sobre Dom Casmurro (de Machado de Assim) e Senhora/ Lucíola de José de Alencar. Eu fiz uma série de quatro indicações e resolvi começar com o grande José Saramago.

A primeira vez que tive contato com obras dele foi justamente com o Memorial do Convento, e recentemente li até a metade aquela considerada o grande “grimoire” do português que já ganhou até um nobel de literatura: Evangelho segundo Jesus Cristo — não se enganem, Saramago era ateu, então não esperem nada religioso de nenhuma das duas.

Mas cá estamos. Como eu li o romance há exatos 5 (cinco) anos, isso mesmo, cinco anos, vou fazer uma breve sinopse “by my memory” e seguir aos finalmentes, porque este texto se trata de uma indicação — lembrem-se meus amigos.

Sinopse by my Memory

Convento: Palácio Nacional de Mafra (1853)
Convento: Palácio Nacional de Mafra (1853)

A estória é dividida em 3 grandes grandes núcleos. O rei e a rainha de Portugal, que no momento estão construindo um convento novinho em folha (mas Saramago mostra mesmo é a relação humana deles dois, como era viver naquela época em que se tinham percevejos na cama e que ninguém tomava banho rs);

Mostra a história da Medium Blimunda, que se bem lembro, estava escapando da inquisição (ela quase foi deportada… a inquisição na maioria das vezes deportava, lembre-se disso). Ela tem a habilidade de ver a vontade das pessoas e acaba meio que “sendo usada” pelo padre para roubá-las… Além de seu amado soldado maneta Baltasar (maneta porque ele tinha perdido uma mão, oras);

E também deste padre completamente viajado na “maionese”, o  Bartolomeu Lourenço de Gusmão (nome de um grande cientista brasileiro!) — que sonhava em voar usando experimentos alquimistas, a partir do uso da vontade das pessoas. Meio que esta é uma sinopse geral do que você vai encontrar dentro do romance.

Umas péssimas reviews por ai…

Ainda bem que ele não leu elas eu acho rs
Ainda bem que ele não leu elas eu acho rs

Para fazer esta indicação eu acabei lendo a review dela da Wikipedia sobre o romance de Saramago — porque como bem disse, são 5 anos passados desde que eu li essa obra-prima. E sinceramente? A review da Wikipedia É UMA BOSTA (o link deixo aí embaixo para quem quiser ler).

Não sei quem escreveu, não sei qual foi o método utilizado, mas houve uma ênfase muito grande nas divisões sociais e uma perda quase completa dos pontos que considero os mais importante para entender ao menos esta obra de Saramago — e na verdade, o que eu penso ser o estilo dele de escrita.

O que é Literatura Fantástica?

Lindas Nagisa e Ushio em Clannad After Story...olha eu veria esse filme
Me Julguem: Para mim animes são um exemplo sem igual de “Literatura Fantástica”!

Saramago é um autor da Literatura Fantástica. Mas AdminTB, o que é isso? Pois é usar da fantasia, de eventos extraordinários para demonstrar as possíveis ações humanas que as envolvem. Basicamente é como se fazer um mito: uma imitação de um épico, ou algum acontecimento extraordinário, e trabalhá-lo com as possíveis atitudes humanas diante do impossível, do milagroso.

Apesar de ateu (melhor dizendo, por ser ateu), Saramago tratava e parecia gostar muito de abordar o milagroso, o impossível, e interpretar o ser humano diante do imprevisível. Claro que quando acontecimentos inesperados se dão, a reação (e a busca da reação) é uma só: o riso. Saramago porque trabalha o impossível causa no leitor duas passagens filosóficas: A Ironia e o Espanto.

A Ironia e o Espanto

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O Espanto porque não é sempre que se vê um milagre — e é justamente o espanto que é o primeiro despertar do pensamento. A Ironia porque sim, pensar também perpasse pelo irônico, pelo riso, pelo quase sarcástico. Na verdade, a Literatura Fantástica é além de um mito, e sim um proporcionador de espanto e ironia: ela é um “e se”, um grande e poderoso “Experimento Mental”. E se aparecer um ser com Mãos de Tesoura?

Mas por que “Experimento Mental”? Eu abordei esse tema, o “e se” no texto sobre o filme de Edward mãos de Tesoura. Porque apesar de Saramago colocar um milagre, um evento fantástico, ele não cessa de trabalhar o realismo. Sim… Saramago é um realista, um irônico caustico — daí seu estilo me lembrar tanto o de Machado de Assis.

Realismo na literatura fantástica

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Ou seja, pensemos se algo de incrível acontecer, no meio de uma realidade dura, sem romantismos, sem irrealidades. É o fantástico, o imprevisível — e portanto irônico e hilário — no meio da realidade mais simples, mais natural. Aí a leitura se torna leve, se torna cômica… porque é inesperada!

Conclusão

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Então meus amigos, basicamente é isso que vocês vão encontrar em Memorial do Convento: uma ironia cômica, hilária mesmo — eu ri muito no momento central da estória — surgida ou dentro da realidade mais crua, ou vinda do impossível que se torna realidade — e das reações dos personagens diante do milagroso.

Obviamente que não apenas a ironia, mas justamente o que torna suas obras tão incríveis, é o espanto que brota de dentro dos “experimentos mentais” em meio ao realismo duro de suas obras — realismo esse que de tão cru,  pode até nos levar as lágrimas com as tristezas da vida.

Me despeço pessoal com essa ótima indicação de romance… e vou te dizer: reviews que não abordem estes temas nesta obra (ou em o Evangelho segundo Jesus Cristo) podem jogar fora, leiam essas reviews não, rs. Bom… eu não leria!

Abraços!

Fonte:
Wikipédia: [Link]

A Teoria de Tudo – Indicação de Cinema: Uma História de Vida e de Ciência

Temos aqui uma indicação de cinema do filme A Teoria de Tudo, feita pelo amigo Daniel, dono do site e página do facebook, Nerd Pobre , parceiro nosso. O filme conta a história do grande cientista Stephen Hawking, e teve diversas indicações ao Oscar. Vamos ler esta indicação. Lembrando que qualquer comentário, Daniel responde!

A Teoria de Tudo – Indicação de Cinema: Uma História de Vida e de Ciência

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Filme baseado ma biografia do físico Stephen Hawking, que ficou famoso por seus estudos sobre buracos negros, tendo como sua obra mas famosa o livor “A brief history of time”, que tem como título em português “Uma breve historia do tempo: do Big Bang aos buracos negros”.

O filme mostra a historia de vida de Hawking desde o inicio dos seu estudos para seu doutorado quando tinha apenas 21 anos, e a descoberta que possuía esclerose lateral amiotrófica , uma doença motora que fazem com que os muculos parem de funcionar com o tempo.

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O filme foi dirigido por James Marsh e teve seis indicações ao Oscar deste ano, entre elas a de melhor filme e melhor ator, sendo grande favorito para ganhar o Oscar de melhor ator pela grande atuação de Eddie Radmayne, ator britânico que vive o papel de Hawking.

Durante o filme o ator conseguiu emular todas as transformações físicas casadas pela doença. Não foi uma atuação de grandes falas, mas o que foi impressionante foi a forma como que o ator incorpora fisicamente as debilitações que Hawking sofreu durante a vida: toda perca progressiva de movimentos dos muculos do seu corpo, as dificuldades de falar anadar e ate a perda destas capacidades em uma atuação muito convincente.

24/09/13 First day of filming around re Stephen Hawking film

A teoria de tudo é um excelente filme que merece todas as indicões ao Oscar que teve e vale muito à pena ser visto. Uma grande historia de vida e deveras emocionante.

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Senhora e Lucíola de José de Alencar – Indicação de Literatura: Romances que marcaram Gerações!

Depois de falar um poco sobre Dom Casmurro, já vos trago um texto retratando um pouco sobre esses dois clássicos dentro do romantismo brasileiro. Obras que fizeram parte de várias gerações, provindas do grande José de Alencar: Senhora e Lucíola. Boa leitura!

senhora e luciola

Senhora e Lucíola de José de Alencar – Indicação de Literatura: Romances que marcaram Gerações!

Já que estou atacando de ‘crítico de romances brasileiros‘, e como tenho alguma leitura diante desses, venho fazer mais algumas considerações sobre duas obras que de certo modo, além de construir o imaginário popular — afinal de contas, Senhora é obrigatório no ensino médio — ajudou em alguma instância, a delinear o que viria a ser os romances posteriores.

Como citei no texto sobre Dom Casmurro, há uma diferença entre novela e romance, além de realismo e romantismo. Nesse caso, ambos os romances tratados — ou seja, obras focadas mais em certos personagens — são de origem romântica, bênção e obra de José de Alencar. É bem comum dizer também, que as mulheres de Alencar, ou seja, “Senhora”, “Luciola” e “Diva”, meio que ‘ajudaram’ a delinear o começo do realismo no Brasil.

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Eu de cá penso que Senhora é um ótimo romance romântico, mas até o final ajuda nos dizer que José de Alencar continua, e muito, seguindo as vieses do romantismo. Realismo mesmo, ao meu ver, só com Machado de Assis.

Enfim, como esse texto não tem a pretensão de ser uma crítica, mas antes, uma motivação para você aí do outro lado ler os referidos romances, vamos tratar hoje de Lucíola e de Senhora. No caso também li Diva, mas dos três gosto muito mais de Lucíola, e como Senhora é Senhora, vá lá então. Lembrando que só vou dar uma opinião, então né?

Lucíola

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Luciola é um romance narrado pelo personagem-narrador Paulo, que conta a sua história ao encontrar a sua doce cortesã — isso mesmo, ela era prostituta. De começo ele não notou muito que era o caso, mas como sabemos uma coisa assim né? Não vou dar muitos detalhes, mas a linda Luciola no final se mostrou uma mulher maravilhosa. Posso dizer sem sombra de dúvidas, que seu final é um dos mais lindos que vi e que mereceu, a minha ‘relida’.

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Sem dar muitas spoilers, destaco o apelo emocional que o personagem principal faz sobre seu amor, ou seja, sobre sua cortesã Luciola. Não pretendo contar o enredo do negócio todo, afinal uma sinopse com ‘rapaz se apaixona por cortesã de luxo‘ meio que já deve por si só, despertar a vontade de ler o negócio.

Lendo os textos sobre o romance, meio que eu não fico muiito com eles. De certo que a impressão que temos da Luciola, que é a mesma de Paulo, o ‘rapaz apaixonado’, é mesmo que ela é um anjo. Mas garanto que no fim essa impressão dele será validada. Recordo como hoje o sentimento que tive ao ler o final. Luciola foi um dos dramas românticos mais lindos que já pude ler.

Agora, Senhora.

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Acho que todo mundo já teve que ler Senhora não é? De qualquer jeito, é um romance que perpassa por Aurélia — a menina pobre que fica rica por causa de uma herança — Fernando Seixas — rapaz esperto que depois casa com Aurélia porque ela ficou rica, afinal é como acertar na loteria, amar uma moça rica — e também o Lemostio, tutor da Aurélia riquinha e “vilão da história”.

De em comum com esse personagens temos o dinheiro. Uns recebem, outros querem se aproveitar, e de novo, alguém quer usar a grana para se vingar de alguém. Recordo que Lemos é pintado pelo autor com os pincéis mais ‘realistas’ possíveis, enquanto ora havia uma queda para a ‘vingança ressentida’ de Aurélia e o ‘aproveitador apaixonado arrependido’ que era Fernando.

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Meio que sem spoilers, eu já contei boa parte da história. Não vou falar mais, afinal de contas, mas vale dizer que gosto muito do Lemos — costumo gostar dos vilões — e que de fato, não gostei do final como todo mundo aí. Mas convenhamos, era uma obra romântica, o final tinha que ser romântico oras!

De identificável nas duas obras, está o clássico das histórias românticas: Primeiro encontro, depois separação, e por fim reunião com uma reconciliação ou um final ‘infeliz’. Esse é o roteiro mais comum de obras românticas e eu garanto que você vê todo dia isso na novela que você assiste na tv.

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Mas tirando aquelas conversas que vemos em todo resumo sobre as duas obras — conversas de ‘denúncia social’ e esse tipo de coisa — coloco como destaque o cuidado que José de Alencar teve com as duas mulheres. Mesmo que de maneira ‘inocente’ e ‘imaginada’ há um caminho traçado para o perfil delas. Ele se preocupa muito com suas personagens principais, dando motivações, decisões e conclusões. Acho que vemos pouco isso em ‘mulheres’ na maioria dos romances românticos.

Ambas tiveram que ser forte no decorrer da vida, decidir por si mesmas e motivadas por alguma coisa que as atingiu. Nisso ele foi muito bom, mesmo pecando, ao meu ver, aqui e ali com fantasias idílicas.

Sentido das Obras

"Essas Mulheres" -- Novela da Record que conta com esses três livros de José de Alencar: Lucíola, Diva e Senhora. Eu Confesso que gostei viu, rs.
“Essas Mulheres” — Novela da Record que fala um pouco desses três livros de José de Alencar: Lucíola, Diva e Senhora. Eu Confesso que gostei viu, rs.

De sentido da obra eu arrisco que em Lucíola temos redenção e amor completo, enquanto em Senhora temos decisão e ‘Amor de Perdição se eu for brincar um pouco e citar outro autor, Camilo Castelo Branco, cuja obra já li e fiz até um texto Aqui no Afontegeek.

Para terminar indico fortemente Lucíola, o final é realmente emocionante e ela é uma personagem de mulher forte, obstinada e cândida. De Senhora, se você for como eu que adora vilões, foque no Lemos, eu mesmo achei ele excepcional.

Então é isso…
Abraços e boa Leitura!

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Dom Casmurro de Machado de Assis: Indicando um Clássico da Língua Portuguesa!

Agora vamos passar a uma pequena review, um texto de indicação para Dom Casmurro, obra-prima do mestre Machado de Assis. Sou um eterno fã do Bruxo do Cosme Velho, e foi um prazer falar sobre esse maravilhoso livro. Boa leituira!

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Dom Casmurro de Machado de Assis: Indicando um Clássico da Língua Portuguesa!

E lá vamos nós. Tem realmente algum tempo que não faço um post sobre livros aqui no blog. Desta vez, assim como fiz em Eurico, o Presbítero, vou fazer como uma breve apresentação sobre Dom Casmurro.

É realmente deveras emocionante poder escrever algumas linhas sobre qualquer obra de Machado de Assis. Li diversos livros dele — coloca ai na conta, Dom Casmurro, Esaú e Jacó, Memórias Póstuma de Brás Cubas, Quincas Borba, etc. — e me considero um grande fã desse gênio. Na verdade, na linha de ‘romances’, tenho Machado de Assis como o maior escritor que já li, e tomo ele como referência para qualquer outro autorUeshiba Riichi?

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Um dos autores que, apesar de só ter lido um livro dele, me recorda muito o estilo ‘irônico’ e ‘seco’ de ser é José Saramago. Quando li “Memorial do Convento” (para ler a indicação do livro de Saramago, só seguir o link) só me vinham comparações com o ‘Bruxo do Cosme Velho’.

O estilo ‘realista‘, por mais que Saramago jogue muito com ‘literatura fantástica‘ me colocava sempre em xeque, em pensamento no dizer, ‘como parece Machado de Assis, mas Machado é melhor’. Me falta ler uma das grandes obras de Saramago: “Evangelho Segundo Jesus Cristo“. Depois disso, voltarei ao velho embate e as velhas comparações, que sempre pendem ao lado do brasileiro.

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Romance x Novela

Mas antes de falar um pouco sobre o ‘romance’ em questão, vale à pena dar umas esticadas para falar de alguns termos. Primeiro, porque dizemos ‘romance‘? O termo romance não se refere a obras românticas somente, mas sim, a obras que se diferenciam de ‘novelas‘. Geralmente romances tendem a dar enfoque a um ou mais personagens principais, enquanto novelas tendem a narrar a vida de diversos personagens.

Então Dom Casmurro é ‘romance’ porque foca a vida de Bento, enquanto “O Cortiço“, que foca a vida dos personagens num cortiço está mais para novela — se bem que o termo novela se aplica mais a “Memórias de um Sargento de Milícias”, mas eu gosto de pensar que “O Cortiço” pode ser tomado como uma novela também. Mas, porque escolhi O Cortiço pra dar esse exemplo? Porque tanto Dom Casmurro como O Cortiço estão dentro da classificação ‘realismo/naturalismo’.

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Eu posso falar bem dessa classificação porque apesar de amar obras românticas, sou um louco por ‘realismo’. Então, obras realistas/naturalistas tendem a deixar de lado aquelas metáforas ‘desvairadas’ de obras românticas como ‘amar mais que a própria vida’, ‘por ela eu morro sem nenhum arrependimento’, etc. Obras realistas focam mais ‘a vida como ela é’, sem aqueles rodeios melodramáticos que estamos mais acostumados — por causa das telenovelas.

Então meio que entendemos né?

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Um romance focado mais na vida de uma personagem — no caso o Bentinho — e realista, ou seja, uma obra sem ilusões ou saudades. Focada na realidade que é a vida do ser humano. Contudo só mais um detalhe: gosto de pensar que o fundador da Academia Brasileira de Letras era um ‘mestiço’, um homem negro. Hoje alguns historiadores tendem a pensar o mesmo.

Pois bem, lembrando que isso não é uma crítica! E que só estou dando opiniões pessoal, olha lá! Enfim, Bento nos narra a história de sua vida. No começo ele explica o motivo do nome de seu livro e que mais tarde retornaria a escrever o que queria desde o começo.

Não vou dar muitos spoilers, mas temos em Dom Casmurro muito mais do que “Capitu traiu Bento com Escobar?”. Na verdade essa pergunta é a que de fato move discussões até hoje, mas o livro vai além dela. Coisas geniais e “maravilhosissímas” como o agregado José Dias, a própria mãe do Bentinho que é uma mulher ‘quase santa‘ e claro, a lindíssima Capitu com seus “olhos de cigana oblíquoa e dissimulada“.

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“Romance de Crescimento”

Dom Casmurro é antes de tudo, porém, um romance ‘bibliográfico‘. Perpassa toda a vida do personagem e acaba causando empatia imediata com o leitor. Por exemplo, quando éramos adolescentes e tivemos nosso primeiro beijo, como foi a decisão que era ‘nossa mesma’ e não de ‘nossos pais’, etc.

Esse tipo de obra é uma ‘obra clássica’ como a do mito da “Jornada do Herói” aonde os personagens vão em busca de um sonho — shonen? — ou então de descoberta do ‘self’, ou “rito de passagem” — shoujo? Obras assim tendem a causar empatia com o leitor, e Machado foi genial ao usar o romance do tipo ‘crescimento’ para captar seus leitores.

Como isso não é uma crítica, vamos ao “Sentido da obra” e um “easter-egg”…

Dom Casmurro

Como eu deixei meio por raso no começo, a coisa ao meu ver não fica na traição, ou no porquê a Capitu era uma na adolescência — forte e decidida — e depois fraca e pasma na idade adulta.

Ao meu ver, o sentido é: O livro é a visão de Bento do mundo. O que importa não é bem o que pensamos, mais o que o motivou a tomar suas decisões. É um livro de ‘percepção pessoal’ acima de tudo.

O “easter-egg” é que Machado sempre em algum momento, se coloca nos seus romances — assim gosto de pensar. Em alguma hora na fase adolescente de Bentinho, um menino mulatinho, um negrinho aparece vendendo bomboms para ele e Capitu senão me engano. Eu arrisco dizer, que esse era o próprio Machado. Existem outras cenas assim nos outros livros dele…mas isso é outra história.

Então é isso. Se apressem e leiam essa obra-prima feita por um dos maiores escritos de nossa literatura. E aí? Você acha que estou errado? Capitu traiu mesmo Bento? Então…

Boa leitura!

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