Edward Mãos de Tesoura – Critica do Filme: E se você encontrasse o Misterioso amor de sua Vida?

Esta se trata da primeira, de muitas criticas de filmes que pretendo fazer aqui para os amigos e amigas do Afontegeek. Boa leitura e espero que gostem do pouquinho que escrevi sore Edward Mãos de Tesoura, de Tim Burton!

Wallpaper Edward Mãos de Tesoura

Edward Mãos de Tesoura – Critica do Filme: E se você encontrasse o Misterioso amor de sua Vida?

Pois é pessoal, depois de quase 1 ano de existência do site e de muita gente que votou na enquete, resolvi cumprir a promessa e fazer a análise do filme escolhido: Edward Mãos de Tesoura (1990). Meio que quem prometeu foi o antigo dono do site, mas como sou um cara de palavra, resolvi fazê-la.

Nesta critica, pretendo falar de 3 assuntos que considero mais importantes para analisar este clássico: Metáfora, Sociedade e Mistério. Todos esses 3 temas constituem no meu humilde ver, o que chamei de “Caracterização do Edward” — eita!

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Antes de começar, uma breve Sinopse:

Peg Boggs (Dianne Wiest) é uma vendedora da Avon que “do nada”, resolve visitar o Castelo mais Assustador de seu bairro (será que todo bairro americano tem um?). Lá ela encontra o Edward (Johnny Depp), um ser criado pelo Inventor (Vincent Price), mas que não teve tempo de colocar mãos na sua criação; de lá, ela com muita dó, “sem quê nem pra quê“, resolve trazer o “mãos de tesoura” para sua casa com vizinhança fofoqueira.

À primeira vista, meu primeiro espanto foi com a Peg. Mas porque ela foi para casa mais assustadora do bairro vender “cosméticos”? E porque ela trouxe o Edward que convenhamos, é assustador? A primeira coisa que pensei foi: “Essa mulher é maluca!” Digamos que é por ai, mas vamos tentar analisar tudo isso de uma forma interessante.

Metáforas.

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Na realidade o filme é um conto contado por uma avó à sua netinha, como vimos no começo. É o que chamamos de “metáfora“. Este tipo de metáfora é muito utilizado na literatura fantástica. Quem lê Saramago sabe bem do estilo. É o que também chamamos na filosofia de “e se“. Ou no termo da Filosofia Analítica de hoje: Um “Experimento Mental“.

Vamos demonstrar isso melhor. E Se, você resolvesse olhar para fora da caverna e visse o sol lá fora? Visse que ele ilumina tudo e faz com que você possa ver as coisas mais claramente? O resultado seria o “espanto“, você mal conseguiria ver no primeiro momento e suas vistas iriam clareando aos poucos… (um pouco da alegoria da caverna de Platão).

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E Se, você resolvesse, sem motivo aparente, ir ao castelo mais assombrado do seu bairro para vender “cosméticos”. Você, uma dona de casa dos anos (70-80 talvez?) e lá encontrasse algo que nunca viu antes, algo misterioso. Uma pessoa com mãos de tesoura. Você, suponho, se espantaria correto? Sairia correndo? Pois é, a Peg não.

Mas não apenas “a Peg não”. Ninguém no primeiro momento tomou um espanto assustador que este ser misterioso mas afável e artista causaria. Mais ou menos como diz Sócrates “O homem é sábio por temer o que não conhece“. Naquele bairro… ninguém temeu…

Sociedade

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Mas acho que sei o motivo da falta de cuidado daquelas pessoas. Elas seguiram seus costumes e agiram conforme eles — admirando a arte do Edward. O que aliás, não é nada mal. As mulheres que naquele lugar não trabalham, ficaram atônitas com a novidade, como deveriam mesmo ficar, cada uma aflorando algo que convinha à sua personalidade.

Os homens agiram com a normalidade que os atos iam sucedendo. Inclusive o garotão da Kim (Winona Ryder) que procurou agir como um “macho alpha“, conforme seu pai tentava mostrar para ele ser — pai que jamais aparece. E esta é a grande brincadeira do filme na verdade.

O “E Se…” e mostrar a reação das pessoas diante deste mistério tão misterioso. Para mim, Tim Burton (diretor e “dono do filme”) não foi apenas inteligente ou irônico, mostrando a reação das pessoas. Claro que ser irônico é o que importa, mas não pensei muito em ironia neste conto.

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Eu achei graça. Graça da Peg ser maluca, da Joyce (Kathy Baker) ser uma mulher que “precisa de um homem HOMEM“, das vizinhas fofoqueiras, ou mesmo da reação do guarda de “eu me preocupo com você filho” — o que me tirou um, “nossa essa guarda é gente fina“.

Mas como eu disse lá em cima, Edward era daqueles mistérios fascinantes mas meio perigosos — afinal, ele tinha tesouras no lugar de mãos. Ele não era fofinho, “ownt” ou “kawaai”. O que ele tinha era este senso de “querer bem”, de agir conforme suas decisões. Ele era uma pessoa, mas não um ser humano (era um invento).

O Mistério

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Claro que diante de algo “não humano”, algo que é tão misterioso e que “deve” causar espanto ou temor, como disse Sócrates sobre o homem temer o desconhecido. Em algum momento, Edward teria de causar medo nessa sociedade tão levada pelos seus hábitos.

Hábitos esses que travaram as pessoas de se “espantarem”, ou que talvez pelo mistério ser tão “gente boa”, ou “apaixonante” para algumas, que não se deixaram espantar. Só depois, quando uns, porque tentou enganá-lo (o namorado macho alpha) e outros por se aproveitarem dele (não que eu reclamaria no lugar dele, com a Joyce, enfim rs) que passaram a desconfiar, a não gostar, a simplesmente odiar.

A reação aqui é claramente não por espanto, mas sim por Edward não se enquadrar ao habitual. Edward não era o comum. Mas se dar conta disso para esta sociedade em questão, levou tempo.

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E claro que diante de um mistério, de um desconhecido a qual deve sempre se temer em primeiro momento, Edward que não sabia viver em “hábito”, mas não era “mal”, acabou matando — acabou revelando-se que realmente deveriam ter tido temor para com ele. Afinal, no mínimo, respeita-se o desconhecido.

Claro que ele matou por legítima defesa para salvar o seu amor, a linda Kim, e também para salvar a si mesmo. E aqui eu não discuto ética, como Burton pareceu tentar discutir quando o pai falava com Edward sobre “o certo e o errado”. Na verdade ele pareceu, porque ele falava dos motivos da aceitação e não aceitação da pessoa que era o Edward: Costumes.

Edward não tinha os costumes que eles tinham. E daí todo o circulo que falei sobre “passaram a temê-lo depois de um tempo“.

Conclusão

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E o que fazemos com o desconhecido, que não faz parte dos nossos hábitos e que nos causa medo? Oras… Nós o colocamos de volta de onde ele veio, num pedido para que ele “não volte mais“.

É isso pessoal: Uma caracterização de “e se”, aonde a comunidade não se espanta pelo costume. De uma pessoa que amou por ser uma pessoa. E da mesma comunidade que volta atrás, e passam a temer e não querer mais perto deles, esse mistério — porque perceberam que ele não tinha os mesmos costumes deles — …esse homem misterioso.

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Refaço a pergunta da netinha à sua avó: E você Leitora? Voltaria no castelo para reencontrar o misterioso amor da sua vida?

ps: Sim, a vovó é a Kim😉
ps²: E a trilha sonora: UuuuuuUUUuuuuu….

Fontes:
Wikipedia: [Link]
Wikipedia [ING]: [Link]
The Iron Cupcake [Algumas Imagens] [ING]: [Link]

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