Arquivo da tag: Tim Burton

Batman (1989) O Filme – Resenha: Um Elogio à Loucura

Vamos à Resenha do filme Batman (1989), de Tim Burton. Com o genial Jack Nicholson como Coringa, Michael Keaton como Bruce e Kim Basinger como Vicki Vale. Espero que gostem de ler um pouco sobre este clássico!

batman-1989-wallpaper

Batman (1989) O Filme – Resenha: Um Elogio à Loucura

Finalmente volto às resenhas de cinema depois do texto sobre Edwards Mãos de Tesoura. Desta vez escolhi falar do clássico Filme Batman de 1989.

Mas primeiro, quero citar a obra que na minha opinião (pelas referências) mais influenciou longa. Se trata da HQ feita por Alan Moore, a clássica A Piada Mortal — siga o link para você ler a Critica desta HQ aqui mesmo no Afonte Geek.

Na verdade o próprio Tim Burton fala que leu e adorou a Piada Mortal, como vocês podem ver na Capa dela!
Na verdade o próprio Tim Burton fala que leu e adorou a Piada Mortal, como vocês podem ver na Capa dela!

Mas por que a Piada Mortal? Na realidade ambas as obras falam basicamente do mesmo tema (Um Elogio à Loucura), só que em argumentações diferentes. Neste texto vou tentar tratar bem do sentido do filme, e também de outras questões como Enredo e Direção, Roteiro e Atuações, Trilha Sonora e Conclusão com Sentido da História.

Mas antes… A Sinopse!

O filme começa com um homem e uma mulher, provavelmente da Mafia, assistindo o prefeito de Gotham trazendo um novo promotor público: Harvey Dent – prometendo que livraria a cidade do mafioso Carl Grissom, pelo menos a tempo do festival da Cidade. O problema é que o “cara” vendo tv é Jack Napier (Jack Nicholson) que além de ser o “braço direito” de Carl Grissom está “pegando a esposa boazuada” de seu chefe.

Enquanto isso, um tal de Alexander Knox está investigando as aparições de um “morcego gigante” que anda aterrorizando os bandidos menores (fala serio… em vez de investigar a Máfia ele quer saber de um morcego gigante!). É neste inteirim que aparece a linda e premiada fotógrafa Vicki Vale, interessada (na máfia?) no tal morcego gigante, claro.

Enredo e Direção (arte conceitual)

batman-1989-gotham-city-skylineAntes que alguém fale “Ah mas esse filme do Batman é besta!”, a gente tem que entender qual foi a escolha do diretor ao trabalhar o morcegão. Inspirado talvez na própria Gotham (e na arte da Piada Mortal, com os desenhos do Coringa espalhados pelo filme), Tim Burton deve ter imaginado um lugar gótico,  repleto de crimes e assassinatos, beirando à loucura.

Esta é basicamente a “Arte conceitual” do filme (e provavelmente de Batman o Retorno também) . Um lugar que propiciasse o aparecimento não apenas de corrupção humana, mas uma fantasia que favorecesse o “incomum”, o “fora do normal”.

batman foto 1989A direção inteira privilegia a fantasia e a loucura (música, tons de cores do filme, ambientação) mesmo que a motivação inicial para o segundo momento do filme, seja simplesmente uma traição (nas palavras de Jack Nicholson: “Você me traiu por uma mulher?!”). Nada mais humano não é?

Então se a direção e a arte nos envolvem nesse lugar que favorecem o aparecimento de “morcegos gigantes que andam como zumbis” é claro que o roteiro e as atuações também.

Roteiro e Atuações

Batman-1989-batman-confronts-the-joker

Coringa

Eu vou falar logo, Jack Nicholson é um gênio. Na realidade, pelo sentido do filme (que vou tratar logo, logo) essa não é uma história do Batman, mas sim de quem ou o quê representa o Coringa (ou um coringa) na vida humana. Então vemos falas pouco significantes na maioria dos personagens, com as cartadas e atuações excepcionais ficando para o Coringa e para seu fiel ajudante, o Bruce.

Coisas geniais como a fala do Jack já como Coringa, quando ele vê a foto da Vicki Vale (O acidente que ele cai no poço químico, é basicamente a mesma história da Piada Mortal, aonde o “Batman criou o Coringa”): “Jesus de Misericórdia, uma potranca como essa solta por ai pode levar um homem ao mau caminho!”.

coringa jackE mesmo a fala que une os dois personagens centrais do filme (Batman como coadjuvante) e todo o enredo da historia: “Nunca dançou com o demônio sob a luz do luar?” – que era o que Jack sempre fala àqueles a quem vai matar; foi ele quem matou os pais do Bruce… e só não matou o pobre garoto por simples acaso.

Ou seja, o Jack  (a maldade, a total psicopatia) criou o Batman por ele ter matado os pais de Bruce e deixado ele viver. E o mesmo para Batman ao não conseguiu impedir que ele caísse no poço químico.

Entenda aqui loucura como o máximo que um psicopata pode chegar, sempre consciente de seus atos. Tão cruel que Napier criou um símbolo para si: O Coringa.

Bruce

michael-keaton1Enquanto isso, o Batman como “persona” do Bruce é sempre mudo e Vicki Vale que na realidade ganhou notoriedade por ter fotografado as Monstruosidades da guerra em Corto Maltese (guerra Fictícia da HQ Cavaleiro das Trevas, aonde o Superman “ajuda” os USA contra a URSS) só aparece mais como “trilha sonora”.

Temos um Batman sem falas, mas em compensação um Bruce que realmente atua junto de Nicholson. Quando ele decide contar à Vicki que é o Batman e ela não deixava ele falar, ele a empurra e diz: “Escute, você é uma garota formidável, eu gosto muito de você, mas por enquanto cale a boca!”. Cena que precedeu o encontro de Coringa e Bruce, aonde Bruce simplesmente “surtou” para que o Coringa saísse do apartamento da Kim.

Trilha Sonora

kim basinger e batmanNa realidade a Kim ajudava a Trilha Sonora “Gritando feito uma maluca, totalmente histérica” (e com razão, porque de um lado um louco psicopata e do outro um maluco fantasiado de morcego).

A trilha traz o Prince e o  Tema do Batman. Músicas e gritos de “mocinha de filme de terror” da Kim, para espelhar o que o “fora do normal” pode causar.

Sentido da História

batman batsinal

Na HQ

Mas então, qual é o sentido da história? Como eu disse, em ambas (HQ e Filme) temos um forte elogio à loucura. Mas a HQ da Piada Mortalargumenta que não importa quão “são” nós sejamos, em algum momento caímos no abismo e revelamos nossos coringas.

Enquanto o Batman e o Gordon representam a bondade e força moral de que, não importa o mal que lhe chegue, se você é forte, não cederá – claro, Alan Moore propositalmente os coloca de forma “bobinha” porque o que ele queria era falar da loucura.

No Filme

coringaAqui esse elogio é diferente. Não tem haver com moral, com o não matar mesmo depois de ver sua filha/amiga ser estuprada e ficar paraplégica por causa de um psicopata. Mas sim, de que o mundo não é “certinho”. Nem tudo, nem coisa alguma é simplesmente “normal”, “comum”. Todos temos lapsos, pontos de fissura.

O ponto de fissura do Bruce é o Batman, como ele mesmo tentou falar à Vicki: “Sabe pessoas com dupla personalidade? Esse mundo não é tão normal”. Já o Coringa simplesmente se joga no caos deste mundo louco, porque nunca teve bondade. Nada lhe é caro a não ser risos, arte e assassinatos.

Conclusão

batman batcaçaPara resumir: O Bruce fora da casinha é um “Vigilante fantasiado de morcego em busca de vingança, e de preencher o vazio da morte dos pais”. O Jack… bom, ele nunca esteve em casinha alguma, ele só fantasiou aquela psicopatia – ambos, como Gotham propiciava.

E você? Fora da casinha é o Batman ou o Coringa? O mundo na realidade é tão insano que um “3 oitão” abate um caça? Perguntas recobertas de fantasia, mas que são o que eu penso, Tim Burton nos questiona.

Esse filme do Batman é besta né? He, he…
Abraços!

batman 1989 kim e keatonps: Ah sim… o Batman do Tim Burton “mata” o Coringa: na hora que ele tenta fugir de helicóptero, prendendo-o no alto da Catedral, e por isso ele cai – pura vingança. Bruce lembra (imagina, talvez?) que foi Jack quem matou seus pais.

ps²: A frase “Nunca dançou com o demônio sob a luz do luar?” me lembrou a clássica “Um demônio no Redemunho” do gênio Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas — clique para ver a resenha desta obra aqui no site.

Vai dizer que não é o bicho?
Vai dizer que esse batmóvel não é o bicho?

Fonte:

Wikipedia: [Link] [Link] [Link]

Top 7 Trilhas Sonoras do Cinema!

Bem-vindos meus queridos amigos e amigas, mais uma lista de Top Alguma coisa do Afontegeek. Hoje escolhi algumas trilhas sonoras clássicas do cinema, para vocês ouvirem, relembrarem, ou conhecerem algumas preciosidades!

indiana rocky e harate kid trilha wall

Top 7 Trilhas Sonoras do Cinema!

Antes que alguém pergunte, sim eu fiz uma boa pesquisa sobre os autores das trilhas (então hoje vocês vão conhecer os compositores daquelas trilhas que tanto curtem). Escolhi alguns clássicos que só de ouvir os “panpanpan” vocês reconhecem o filme no mesmo momento.

Resolvi fazer esta lista porque outro dia “deu na telha” de relembrar clássicos como as músicas de Indiana Jones, Rocky, e tantos outros. Daí entrei numa discussão com amigos sobre o motivo das trilhas sonoras dos filmes de hoje não marcarem mais como antigamente. Um amigo levantou o motivo de porque hoje estão muito preocupados em colocar “cantores pop da atualidade”… o que no fundo, é uma verdade.

Mas enfim, vamos ao Top!

Indiana Jones

(John Williams)

Uma das Trilhas sonoras mais clássicas do cinema. Qualquer pessoa com um pouco mais de idade (hehe) associa na mesma hora “música a filme”.

Assim que se aperta o play, conseguimos imaginar o mítico professor e arqueólogo Indiana Jones, entrando com seu chapéu por entre alguma fresta de um templo perdido, ou dando socos e ponta pés em saqueadores de antiguidades.

indiana_jones_09

Tenho o Indy como um dos maiores heróis da minha infância e pré-adolescência, e ao ouvir essa canção-tema me emociono na hora! Meu sonho sempre foi e ainda é ser como ele, rs.

Enfim, rasgações de seda à parte, a trilha foi composta pelo MÍTICO John Williams, autor de trilhas de diversos filmes clássicos do cinema, e a segunda pessoa com maior indicações ao Oscar! O cara é velho figurão nas trilhas de Steven Spilperg (Jurassic Park, a Lista de Schindler e E.T. o Extra-Terrestre, etc).

Só para completar, Indiana Jones é criação do gênio George Lucas, mas dirigido por Spilberg. E eu só não falo mais do John porque ele vai aparecer de novo nesta lista!

Rocky: Um Lutador

(Bill Conti)

Agora vamos para a Trilha Sonora do filme Rocky: Um Lutador (na tradução brasileira). O filme venceu quase absolutamente tudo no Oscar de 1977 (Melhor filme, melhor direção, melhor filme de drama) é outro clássico do cinema. E recebeu indicação como melhor canção, a mítica “Gonna Fly Now” composta pelo gênio (o cara é genial) Bill Conti.

O filme tem algumas curiosidades interessantes. A primeira que o Roteiro foi escrito pelo PRÓPRIO Silvester Stallone, e ele arriscou bastante ao atuar ele mesmo como Rocky (ofereceram dinheiro pra ele desistir mas ele seguiu em frente).

rocky

Outra coisa que sim, Stallone também foi indicado ao oscar como melhor ator, e escreveu o roteiro em apenas 3 dias! Depois de assistir a luta entre Chuck Wepner e Muhammad Ali, aonde o Chuck resistiu ao embate durante 15 rounds e até Derrubou Ali.

A Gonna Fly Now ficou no topo das paradas na Billboard por uma semana (de 2 de julho até 8 de julho de 1977) de forma merecida, diga-se. Canção mítica que faz chorar até os marmanjos mais barbudos, tanto a trilha como o filme são um deleite, e me julguem, mas a atuação de Stallone tanto em Rocky I quanto Rambo I foram GENIAIS!

Darth Vader (Marcha Imperial)

(John Williams)

Olha o John Williams de novo! Eu sinceramente não sei dizer se ele é o compositor da mítica “Marcha Imperial“, mas como foi ele o gênio que fez a trilha sonora DE TODOS os Star Wars, é de se dizer que ele também fez essa peça magistral (aliás, a canção de combate entre os Jedis x Sith composta para os filmes novos, também é mítica!).

Para vocês terem ideia do quão “o cara” este mítico John Williams é, ele quem também fez a trilha do clássico de filmes de suspense: Tubarão (também obra de Spilberg). Depois dizem que dois raios não caem no mesmo lugar… neste caso, caiu várias vezes!

Karate Kid II

(Peter Cetera – Bill Conti)

Mas é impressionante como os raios insistem em reaparecer por aqui né? Segundo a querida Wikipedia, Bill Conti também é o responsável pela trilha sonora do filme Karate Kid, e confirmo dele também ter feito a trilha de Karate Kid II (canção que escolhi), só por causa desta Imagem, rs.

Por acaso, a mítica, “Glory of Love” do Peter Cetera (quem?) também foi indicada para o Oscar como melhor canção, e merecidamente, diga-se. Ainda estou pensando em “O que aconteceu com as trilhas de hoje, em?”.

Superman O Filme

(John Williams)

Mas esse tal de John Williams não para nunca! Ele foi o compositor do primeiro filme do Superman clássico (Superman O Filme) estrelado pelo também genial Christopher Reeve. É engraçado o tom “épico” que suas composições têm.

Se você parar para ouvir todas essas três músicas dele vai notar um “crescendo” muito presente, e claro, o teor épico que todas possuem. É um fato, o cara merece todas as indicações e prêmios da academia que ganhou. É um gênio (e ele fará a trilha sonora de Star Wars Episódio VII!!).

Batman (Tim Burton)

(Danny Elfman)

Danny Elfman é outro autor de trilhas cujas canções são inesquecíveis (assim como John, ele também fez parceria com um grande diretor de cinema, só que no caso, é o Tim Burton). Ele quem fez a trilha sonora de Edward Mãos-de-Tesoura, que vocês podem ler uma crítica sobre o filme aqui mesmo no Afontegeek.

Ou seja, se você lembra dos “uuuuuu” e aquele tom meio gótico, meio triste do “Mãos de Tesoura”, rapidamente associa ao próprio tema do Batman, que também é um clássico.

É engraçado que sempre lembramos mais do desenho do Batman ao ouvir essa música, que do filme (eu ao menos lembro mais do desenho rs). Isso porque se trata da mesmíssima música que também foi utilizada no desenho (que foi mudada mais tarde).

Mortal Kombat

Mortal Kombat: The Album (The Immortals)

E chegando quase no fim, creio ser esta a trilha “menos honrada” do nosso Top 7. Pois então, a trilha de Mortal Kombat foi feita pelos The Immortals (ou melhor, por Praga Khan e Oliver Adams, ambos produtores musicais belgas). No caso, essa música tema se chama Techno Syndrome (Mortal Kombat), caso alguém queria uma informação precisa rs.

E claro, foi justamente essa música que foi usada no filme de 1995 — porque na realidade, os The Immortals lançaram o álbum com essa música em 1994, e daí, ela foi utilizada no filme. Vai dizer que algum de vocês ai nunca ouviu?

As Aventuras de Tintin (desenho)

Menção Honrosa

E como menção honrosa, essa belíssima trilha sonora do desenho também mítico do Tintin. Por algum acaso o Jonh Williams (ele de novo!!) foi quem fez a trilha sonora do filme “As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne” também dirigido pelo Spilberg. Mas como vi esse filme algumas vezes, não acho que o Williams tenha se baseado nessa abertura do desenho para fazer as canções do filme.

Voltando ao desenho, para quem não conhece, Tintin é uma série de livros feito pelo GENIAL Hergé, que rendeu mais tarde essa animação produzida pela Ellipse Animation (França) e pela Nelvana (Canadá) em nome da Hergé Foundation. Essa produção contou até mesmo com Philippe Goddin que é um especialista em Tintin.

tintin-e-milu

Bom mas… vamos imaginar que você não conhece o Tintin (como pode?!). Tintin é um jornalista que juntamente com seu cachorro Milu, desbrava o mundo atrás de furos de reportagem: como relíquias, enfrentar contrabandistas de drogas e até mesmo ir numa viagem à lua!

O próprio Spilberg é um fã de Tintin. Ele revela que descobriu a obra de Hergé logo depois de ter lido uma resenha aonde comparam o filme “Indiana Jones e os Caçadores da Arca perdida” a Tintin. Na realidade, o próprio Spilberg comprou os direitos das obras de Tintin e vinha “sonhando há anos” em fazer um filme baseado nelas. Na boa… não é à toa que sou tão fã, tanto do Indy quanto do Tintin.

indiana jones templebabe2

E ficamos por aqui senhoras senhores. Deixo a promessa de que em breve farei reviews dos filmes do Batman (feitos pelo Burton e pelo Nolan), de Indiana Jones e quem sabe, falarei um pouco de Tintin.

Abraços a todos!

Fontes (Wikipedia):

John Williams [Link]/ Bill Conti [Link]
Danny Elfman [Link]/ Mortal Kombat: The Album [Link]
As Aventuras de Tintin (desenho) [Link]
Rocky: Um lutador [Link]/ Karate Kid II [Link]
Batma, A Série Animada [Link]
As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne (filme) [Link]

Edward Mãos de Tesoura – Critica: E se você encontrasse o Misterioso amor de sua Vida?

Esta se trata da primeira de muitas criticas de filmes que fiz aqui para os amigos e amigas do Afontegeek. Boa leitura e espero que gostem do pouquinho que escrevi sobre Edward Mãos de Tesoura, de Tim Burton!

Wallpaper Edward Mãos de TesouraEdward Mãos de Tesoura – Critica: E se você encontrasse o Misterioso amor de sua Vida?

Pois é pessoal, depois de quase 1 ano de existência do site e de muita gente que votou na enquete, resolvi cumprir a promessa e fazer a análise do filme escolhido: Edward Mãos de Tesoura (1990). Meio que quem prometeu foi o antigo dono do site (o Ródi), mas como sou um cara de palavra, resolvi fazê-la.

Nesta critica, pretendo falar de 3 assuntos que considero mais importantes para analisar este clássico: Metáfora, Sociedade e Mistério. Todos esses 3 temas constituem no meu humilde ver, o que chamei de “Caracterização do Edward” — eita!

vlcsnap-3015328

Antes de começar, uma breve Sinopse:

Peg Boggs (Dianne Wiest) é uma vendedora da Avon que “do nada”, resolve visitar o Castelo mais Assustador de seu bairro (será que todo bairro americano tem um?). Lá ela encontra o Edward (Johnny Depp), um ser criado pelo Inventor (Vincent Price), mas que não teve tempo de colocar mãos na sua criação; de lá, ela com muita dó, “sem quê nem pra quê“, resolve trazer o “mãos de tesoura” para sua casa com vizinhança fofoqueira.

À primeira vista, meu primeiro espanto foi com a Peg. Mas porque ela foi para casa mais assustadora do bairro vender “cosméticos”? E porque ela trouxe o Edward que convenhamos, é assustador? A primeira coisa que pensei foi: “Essa mulher é maluca!” Digamos que é por ai, mas vamos tentar analisar tudo isso de uma forma interessante.

Metáforas.

i029148

Na realidade o filme é um conto contado por uma avó à sua netinha, como vimos no começo. É o que chamamos de “metáfora“. Este tipo de metáfora é muito utilizado na literatura fantástica. Quem lê Saramago sabe bem do estilo. É o que também chamamos na filosofia de “e se“. Ou no termo da Filosofia Analítica de hoje: Um “Experimento Mental“.

Vamos demonstrar isso melhor. E Se, você resolvesse olhar para fora da caverna e visse o sol lá fora? Visse que ele ilumina tudo e faz com que você possa ver as coisas mais claramente? O resultado seria o “espanto“, você mal conseguiria ver no primeiro momento e suas vistas iriam clareando aos poucos… (um pouco da alegoria da caverna de Platão).

peg não

E Se, você resolvesse, sem motivo aparente, ir ao castelo mais assombrado do seu bairro para vender “cosméticos”. Você, uma dona de casa dos anos (70-80 talvez?) e lá encontrasse algo que nunca viu antes, algo misterioso. Uma pessoa com mãos de tesoura. Você, suponho, se espantaria correto? Sairia correndo? Pois é, a Peg não.

Mas não apenas “a Peg não”. Ninguém no primeiro momento tomou um espanto assustador que este ser misterioso mas afável e artista causaria. Mais ou menos como diz Sócrates “O homem é sábio por temer o que não conhece“. Naquele bairro… ninguém temeu…

Sociedade

edward_scissorhands_05_stor

Mas acho que sei o motivo da falta de cuidado daquelas pessoas. Elas seguiram seus costumes e agiram conforme eles — admirando a arte do Edward. O que aliás, não é nada mal. As mulheres que naquele lugar não trabalham, ficaram atônitas com a novidade, como deveriam mesmo ficar, cada uma aflorando algo que convinha à sua personalidade.

Os homens agiram com a normalidade que os atos iam sucedendo. Inclusive o garotão da Kim (Winona Ryder) que procurou agir como um “macho alpha“, conforme seu pai tentava mostrar para ele ser — pai que jamais aparece. E esta é a grande brincadeira do filme na verdade.

O “E Se…” e mostrar a reação das pessoas diante deste mistério tão misterioso. Para mim, Tim Burton (diretor e “dono do filme”) não foi apenas inteligente ou irônico, mostrando a reação das pessoas. Claro que ser irônico é o que importa, mas não pensei muito em ironia neste conto.

sociedade edward-01

Eu achei graça. Graça da Peg ser maluca, da Joyce (Kathy Baker) ser uma mulher que “precisa de um Omão da POHA“, das vizinhas fofoqueiras, ou mesmo da reação do guarda de “eu me preocupo com você filho” — o que me tirou um, “nossa essa guarda é gente fina“.

Mas como eu disse lá em cima, Edward era daqueles mistérios fascinantes mas meio perigosos — afinal, ele tinha tesouras no lugar de mãos. Ele não era fofinho, “ownt” ou “kawaai”. O que ele tinha era este senso de “querer bem”, de agir conforme suas decisões. Ele era uma pessoa, mas não um ser humano (era um invento).

O Mistério

edward_scissorhands_2Claro que diante de algo “não humano”, algo que é tão misterioso e que “deve” causar espanto ou temor, como disse Sócrates sobre o homem temer o desconhecido. Em algum momento, Edward teria de causar medo nessa sociedade tão levada pelos seus hábitos.

Hábitos esses que travaram as pessoas de se “espantarem”, ou que talvez pelo mistério ser tão “gente boa”, ou “apaixonante” para algumas, que não se deixaram espantar. Só depois, quando uns, porque tentou enganá-lo (o namorado macho alpha) e outros por se aproveitarem dele (não que eu reclamaria no lugar dele, com a Joyce, enfim rs) que passaram a desconfiar, a não gostar, a simplesmente odiar.

A reação aqui é claramente não por espanto, mas sim por Edward não se enquadrar ao habitual. Edward não era o comum. Mas se dar conta disso para esta sociedade em questão, levou tempo.

esc_208JohnnyDeppE claro que diante de um mistério, de um desconhecido a qual deve sempre se temer em primeiro momento, Edward que não sabia viver em “hábito”, mas não era “mal”, acabou matando — acabou revelando-se que realmente deveriam ter tido temor para com ele. Afinal, no mínimo, respeita-se o desconhecido.

Claro que ele matou por legítima defesa para salvar o seu amor, a linda Kim, e também para salvar a si mesmo. E aqui eu não discuto ética, como Burton pareceu tentar discutir quando o pai falava com Edward sobre “o certo e o errado”. Na verdade ele pareceu, porque ele falava dos motivos da aceitação e não aceitação da pessoa que era o Edward: Costumes.

Edward não tinha os costumes que eles tinham. E daí todo o circulo que falei sobre “passaram a temê-lo depois de um tempo“.

Conclusão

600full-edward-scissorhands-photoE o que fazemos com o desconhecido, que não faz parte dos nossos hábitos e que nos causa medo? Oras… Nós o colocamos de volta de onde ele veio, num pedido para que ele “não volte mais“.

É isso pessoal: Uma caracterização de “e se”, aonde a comunidade não se espanta pelo costume. De uma pessoa que amou por ser uma pessoa. E da mesma comunidade que volta atrás, e passam a temer e não querer mais perto deles, esse mistério — porque perceberam que ele não tinha os mesmos costumes deles — …esse homem misterioso.

edpaprica-610x250Refaço a pergunta da netinha à sua avó: E você Leitora? Voltaria no castelo para reencontrar o misterioso amor da sua vida?

ps: Sim, a vovó é a Kim 😉
ps²: E a trilha sonora: UuuuuuUUUuuuuu….

Fontes:
Wikipedia: [Link]
Wikipedia [ING]: [Link]
The Iron Cupcake [Algumas Imagens] [ING]: [Link]

O Ben Affleck tem a ver com o Batman barriguinha?

Batman é um dos heróis mais populares da DC Comics, mas na verdade até a minissérie (The Dark Knight Returns-1986 by Frank Miller) Batman era mais lembrado pelos POW… POFF… do seriado televisivo da década de 60.

Imagem da série televisiva da década de 60.
Imagem da série televisiva da década de 60.

O Ben Affleck tem a ver com o Batman “barriguinha”?

Nos desenhos animados, era um coadjuvante principal no Superamigos, e seu cinto de utilidades e batveículos eram a sua maior referência, fora as piadinhas sobre Robin… mas vamos pular essa parte. Até então a imagem que se tinha de Bruce Wayne era a de um playboy (alguém ai lembra de na biblioteca do apartamento em que morava ele descer por um mastro de poli dance – Ah louca???).

Na DC houve uma salada de frutas com a história de Batman, existiram as fases sombrias também. Mas, realmente quem deu o grande BOOM da coisa foi Frank Miller, ali Batman tornou-se ao invés do playboy bon vivant, o homem rico e cínico (Alfred atrás de Bruce e ele: “faça um cheque” é memorável).

Capa da mini -série Cavaleiro das Trevas de Frank Miller - 1986
Capa da mini -série Cavaleiro das Trevas de Frank Miller – 1986

Ali realmente as pessoas o viram como um homem sombrio e capaz de antever as coisas a partir de uma simples notícia… um homem sem piedade.

Então saiu no cinema a Quadrilogia do Batman, com Michael Keaton como Batman em dois, Val Kilmer e George Clooney fechando. O primeiro foi muito bom, (apesar de que Keaton parecia um cara com torcicolo, por conta da fantasia de Batman que lhe arrumaram).

O segundo já me deixou com sono, e os últimos dois dessa fase são ótimos… para você que tem insônia. Renderam muito dinheiro… bilheteria… diretores bons e péssimos… roteiros interessantes e terríveis desastres.

Vilões memoráveis (Nicholson como Coringa, e De Vito como pinguim, Pfeifer como Mulher-Gato foi delicioso… o Robin… bem… pula), e alguns micos. Então vem a Trilogia de Nolan, com consistência, apesar desaparecerem algumas coisas que não curti como uns veículos e tals… mas beleza… deu pra aceitar. Christian Bale se saiu bem em Batman. Aí… eis que surge a notícia da filmagem do confronto entre Super Homem e Batman… Baseado em???

Cavaleiro das Trevas de Frank Miller. Nem sei quem foi chamado para ser o super escoteiro, mas surgiu  a notícia de que Ben Affleck faria o Batman. Não sei realmente dizer se estou certo, mas fico com o pé atrás.

Porque? Bem, Keaton era famoso por comédias, foi uma aposta e pessoalmente acho que deu certo já que a ideia era de um Batman mais velho mesmo. Mas, quem era Christian Bale antes de Batman? Bale era um desconhecido do grande público.

Da esquerda para direita: Keaton, Kilmer, Clooney e Bale.
Da esquerda para direita: Keaton, Kilmer, Clooney e Bale.

E Ben Afleck?

Chegamos a questão. Famoso por papéis de mocinho, o que realmente não mede o talento de um ator. Tudo em papel de mocinho é chavão… lugar comum. Poderíamos falar do micão em Demolidor, mas ali temos que nos deter, vejamos: Demolidor nos quadrinhos virou o cara depois de Frank Miller (lembram dele?) em A Queda de Murdock…

Ben Afleck em Demolidor
Ben Afleck em Demolidor

Mas o filme que fizeram?

Pelamordedeeeuuuussss… que &*%¨&$%¨ de filme foi AQUILO (nem chamo de aquele), O roteiro mais ruim que poderiam fazer, Murdock tomando banho de ervas??? (Palavrão) Que foi aquilo? O rei do crime virou uma piada.

Como desperdiçaram o Michael Clark Duncan daquele jeito… é pecado… e me largaram a direção na mão de um cara que fazia filmes água com açúcar pra Disney… nasceu morto. Por isso a lembrança de Ben Affleck ficou tão associada a um herói canastrão.

Bruce Wayne num momento relax by Ben Afleck
Bruce Wayne num momento relax by Ben Affleck

Mas pera… Canastrão? – Ator mocinho/canastrão (associação básica). Se for pra apostar, aposto que não serve pra Batman… Ele parece ser o Jack Johnson e não o Batman. Ben não tem cara de quem pode ficar preocupado com algo, muito menos com outro micão em sua carreira. Mas para quem é fã, “matar” o Batman é crime mortal.

Sombras da Noite: Mais um Grande filme de Johnny Depp e Tim Burton – Sinopse e Indicação

Sombras da Noite é o mais um filme de Tim Burton em parceria com o ator Johnny Depp. Pode-se dizer que essa é uma das parcerias mas bem sucedidas de Hollywood. Será que vale mesmo à pena essa Indicação desse filme? Venham comigo descobrir se vale à pena!

Johnny Depp e Eva Green

Sombras da Noite: Mais um Grande filme de Johnny Depp e Tim Burton – Sinopse e Indicação

O filme é uma adaptação de um seriado sessentista exibido pelo canal ABC em 1966 à 1971. A trama acompanha a estranha mudança da família Collins, quando o vampiro Barnabas,  (Johnny Deep) é despertado de seu caixão sedento por sangue e com saudades do seu antigo   amor. Logo começam a suspeitar que ele seja um antepassado da família.

O elenco é formado por:

Helena Bonham CarterChloe Moretz, Eva Green, Gulliver McGrathBella Heathcote, Johnny Depp, Ray Shirley, Jackie Earle HaleyJonny Lee Miller e Michelle Pfeiffer.

Sinopse e Uma Opinião

É indiscutível que a parceria Johnny Depp e Tim Burton não gere lucros invejáveis, ambos possuem um grande fã clube de jovens pelo mundo, mas devo dizer que o último filme realizado por essa dupla não foi nem de longe o que se pode esperar deles.

Alice no país das maravilhas é um bom filme, mas… deixa no ar a ideia de que poderia ter sido melhor. Afinal, Burton criou grandes filmes com o teor Gótico. Destaco “Sweeney Todd o barbeiro demoníaco da rua Fleet”, com fotografias de uma Inglaterra sombria incríveis, um filme é de uma plástica sensacional.

Além de Michelle Pfeiffer que é uma grande atriz e a esposa de Tim Burton Helena Bonham Carter, também esta a atriz (que na época era mirim, hoje está uma gata) Chloe Moretz conhecida por interpretar Hit Girl no filme “Kick Kass”.

E ele vale à pena uma Indicação?

Olha… eu achei ele um filme divertido no final das contas. Não se trata de nenhum Mãos de Tesoura“, mas no fim até que é um filme que vale à pena a ser assistido. Principalmente pelas cenas com mais ação e com mais sensualidade da dona Eva Green com o Depp.

E ele também não tem aquela sensação de “Crepúsculo I Wanna Be” o que na realidade, muito me agrada. Sei que muitos até gostam… mas enfim, melhor eu não comentar para chatear os fãs. Agora… Sombras da Noite não é bem um filme de romance, então não assista esperando ver algo assim. Veja… para curtir.

Abração!