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Guilty Crown – Crítica: Ação, Romance e Filosofia – O Homem em busca de ser Humano

E vamos para a Crítica do anime Guilty Crown, uma das que mais deu trabalho fazer para este que vos escreve. Muita ação, Romance e também Filosofia, nesta obra aonde o homem busca ser Humano. Vem comigo!

Guilty Crown – Crítica: Ação, Romance e Filosofia – O Homem em busca de ser Humano

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Veja também o nosso Cosplay da Inori – Gata da Semana Especial: Guilty Crown

Finalmente a crítica de Guilty Crown — meu anime favorito (ainda hoje). Depois de muitas promessas e adiamentos, fiz esta critica sobre o anime, que contém SPOILERS, estejam avisados. Mas mesmo que você ainda não tenha visto o anime, recomendo ler meu texto. Por que meus textos são maneiros.

But Primeiro, the mine Sinopse!

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Ouma Shu é um jovem meio triste que não se dá muito bem como ninguém na escola — não me diga — que sempre foi fã da banda EGOIST e da sua linda vocalista Inori Yuzuriha. Mas o que ocorre? A própria Inori acaba roubando algo das tropas da GHQ (uma especie de ONU) e sangrando pede ajuda a ele. A verdade é que o Japão sofreu um ataque de arma biológica, que ficou conhecido como Lost Christmas e acabou pedindo ajuda aos estrangeiros. Numa sucessão de eventos, Shu utiliza o artefato roubado por Inori — o Genoma do Void — para salvar a todos das tropas do GHQ…

Lembrando que Guilty Crown é um anime de Mistério, Sci-fi, Mechas, Ação, romance, psicologia, filosofia e um pouco de teologia, que fica bem clara no decorrer da animação. E esta critica será divida em Roteiro e Direção, Trilha Sonora, Character Design e Personagens, Historia e Sentido da obra.

Vamos logo.

Roteiro e Direção

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Lindo de mais…até hoje não sei porque o Void da Inori é uma espada

O Roteiro é quase perfeito. Para falar a verdade eu sou completo fã de roteiros de mistério/ modernos, porque não precisam falar de mais e explicar o desnecessário. O problema é que algumas vezes ele pode acabar não ficando claro o suficiente — ocorre em Serial Experiments Lain por exemplo. Todas as falas são bem dosadas, e o ritmo da primeira temporada é perfeito.

guilty-crown0004 Diria que o único erro dele foram os 5-6 episódios iniciais da segunda temporada, porque fizeram os episódios “power rangers“, que em vez de seguir com a história, contaram o “plano de fundo” dos outros personagens. Alguns amaram ver o episódio da Ayase Shinomiya “voando” com seu void, mas acabou-se perdendo o “fio da meada“. Tudo só volta aos eixos depois.

Guilty Segai_watches_videoTambém adorei a Direção. Bons cortes, bons detalhes. Ambos foram talvez do mesmo nível. Adorei as cenas em que o Segai Waltz Makoto, ou melhor, o francês, eram utilizadas para explicar em que ponto estávamos. Perguntas sensacionais do tipo: “Todos querem saber aonde está o Gai“, “Afinal, ele está vivo ou não?

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Esse cara foi muito interessante durante toda a história/Foi muito bem utilizado pelo Diretor

Sem dúvida ambos, na primeira temporada, foram perfeitos. Diria que a primeira alcançou uma nota muito superior à segunda, apesar que foi na última que entendemos o argumento central da história.

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A trilha sonora é outra perfeição. Músicas bem feitas, arranjos, vocais femininos lindíssimos. Até mesmo as letras são realmente muito boas, por além do que, contarem o que se passa. Conseguem de fato transmitir em todos os momentos da animação a sensação que deveriam, nos imergir nas cenas.  Acredito que cada um deva ter as músicas que mais gosta da banda Supercell — Egoist no anime.

Parece que as músicas foram cantadas por uma menina que na época tinha 17 anos, chamada Chelly, escolhida num concurso entre 2000 participantes; apesar que as primeiras músicas foram cantadas por outra moça — parece que se chama Koeda. Sigam o [Link] e tirem suas dúvidas.

De cá, gosto bastante da música cantada por Inori para reverter o vírus, e também a minha favorita, BIOS, na qual Shu tira o void — o si — da Inori. Uma pena que justo essa música foi pouco usada na segunda temporada

Character Design e Personagens

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Moe!!
O Character Design é muito bonito. Sinceramente não gostava do moe que é usado em excesso na Inori e nas outras meninas, mas depois de tanto tempo vendo anime me acostumei.

Consigo identificar no primeiro olhar a maioria dos personagens. Nada a reclamar mesmo — a não ser os exageros no “francês”, hehe. Traços bem condizentes, não vi nada de fato desnecessário. No geral dou um muito bom.

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Tem uma cena do episódio 5-6 que é um primor, de Shu salvando a Inori

Agora…Os cenários são lindíssimos. As cenas dos episódios 1, 5-6, 12, e os penúltimos da segunda temporada são um show de animação. Vou dizer, se o primeiro episódio não fosse tão lindo e com roteiro tão misterioso, dificilmente teria acompanhado o anime.

Sobre os Personagens, no começo eles vão te conquistar por um misto entre moe/kawaai. E claro a incrível fodidade de Gai. O autor foi inteligente em colocar dois personagens centrais em constante transformação — Shu e Inori — junto daquilo que é o mais habitual nos animes, ou seja, um personagem líder.

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Coitada…se apaixonou pelo charme do Gai, rs. O final dela foi realmente um dos mais tristes e a situação foi terrível.

Contudo, mesmo que vejamos certa profundidade em  personagens como a Arisa Kuhouin, a Hare Menjou (muitos otakus droparam quando ela morreu, mas foi preciso para a mudança de Shu) e do Yahiro Samukawa (a morte do irmão dele também ajudou a mudar o Shu e a ele mesmo), diria que o central são os dois casais e as razões do vilão, Shuichiro Keido, O Bigode, mesmo que nele não vá além da questão de ser mau. Mas é um baita vilão.

Mana, Gai e Shu

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A vida nos muda?

A Mana foi genial no seu drama de dupla-personalidade na primeira temporada — uma pena que ela foi esquecida na segunda. Queria muito rever a Mana lutando com o vírus, o seu redescobrir diferente dele — dois seres em um só —  e até que ponto ela se tornou um com ele. Tudo acabou sendo abordado rapidamente no episódio que entendemos finalmente o mistério todo — realmente uma pena!

Gai que faz tudo por sua amada, assim como Shu, dispostos a tudo para salvá-las. Ele que aprendeu a ser forte. Sem dúvida Gai foi quase uma “ideia geral” daquele que teve de mudar por conta do meio, assim como Arisa e Yahiro. Há decisão nisso? Penso que nele há um pouco — a decisão é buscar Mana.

E Shu que envolve toda a humanidade que o anime buscou. Aquele que mesmo não sabendo quem era, mesmo que errando em suas decisões mostrando o lado terrível e falível que somos, e por último, o lado mais belo que podemos ser — nossas decisões em prol do próximo. E ainda assim, muito do que fez foi por Inori.

Inori – O que eu sou?

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Na verdade todo o argumento do anime gira em torno da Inori:O que eu sou“,  “O duvidar de minhas sensações“,  “O nomear” — Gai me deu um nome — e por último, “não importa o que sou, basta para mim que eu sou eu“, nos revelando por fim todo o argumento Cartesiano — o conjunto de minhas sensações e consciência delas, que difere das da Mana.

Filosofia. Eu como seu estudante, pude notar com clareza o argumento de Descartes da dúvida do sensível — ela não não sabia o que eram as coisas, se as sentia, e Shu lhe diz “Você é a Inori”.

O argumento do “deus enganador” representado por Mana em quase toda a segunda temporada, e por fim, o “não sou outro, mas eu sou este que sou“, numa clara alusão ao filósofo. Eu que na época o estudava, fiquei em êxtase. Para falar a verdade, ainda estou.

Historia e Sentido da obra

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Muitos não queriam que a Hare morresse

Acerca da história, penso que a maior parte dela foi melhor explicada no episódio que aparecem o pai do Shu e o nosso querido Bigode, então não vejo necessidade de recontá-la. Se é assim, penso que ela poderia ter sido melhor roteirizada, principalmente na segunda temporada aonde ela se desenrola.

guilty yuuComo falei acima, no roteiro, houve uma grande perda de tempo com os primeiros episódios, o que acabou fazendo que ela parecesse corrida depois. Mas falo isso sabendo que se trata de um roteiro moderno, o que é muito comum que a ‘história’ seja contada só no final.

Também creio que é bom dar uma ideia falar sobre os conceitos: Daath que parece ter vindo da Cabala, algo sobre conhecimento — “ele mesmo se chamou a “vontade da humanidade personificada”. E também do Void: o vazio, ou o em si da alma, como o que aparece no último episódio: “Só quando Shu está perto de ser morto, a alma de Inori aparece do cristal da flor”. Talvez por ela ser um clone da Mana, seja o mesmo Void…

Explicando um pouco mais da História

Guilty-Crown-guilty-crown-25907830-985-622E o que pode ser um erro da tradução para o Pt-Br, Gai nos diz no último episódio que tinha como objetivo reviver a Mana e assim fazê-la morrer, porque só com ela completa com o corpo da Inori, poderia morrer em paz — caso contrário seria clonada pela Daath eternamente:

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Gai…

Here Gai explains…” (Wikipedia e Wikia)

(Tradução)

“Aqui Gai explica que o único meio de parar o Quarto Apocalipse era deixar Mana cumprir seu destino de começá-lo e depois, quando ela finalmente pode descansar em paz, foi esse o motivo dele ter se junto à Daath. Se ela não o fizesse, Daath iria ressuscitá-la de novo, e de novo. Como Gay abraçou mana, o Virus envolve os dois e se despedaça. O Genoma do Void de Gai é transferido para Shu, quando ele acorda e encontra inori, parcialmente cristalizada e cega procurando por ele.” 

Dai o motivo de Gai. guilty-crown-inori-girl deskotContinuando: enquanto Shu estava sugando todo o vírus à sua volta, Inori que voltava ao seu corpo meio cega, resolve tomar para si todo o vírus e se sacrificar por ele — já que ela havia conhecido “a pessoa mais humana que já viu”. Aí o porque de Shu ter ficado cego também. É como se a vida de Inori fosse para ele.

Em ambos os sites — Wikipédia e Wikia — temos a mesma explicação. Dificilmente temos um erro no roteiro porque duas fontes diferentes contam a mesma história. Penso que ou foi nossa tradução… Ou será que só eu não entendi isso na época? Enfim.

Qual o sentido de Guilty Crown

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A luta Shu e Daath foi o clímax do anime; o final ele contra Gai foi totalmente anticlímax, e com esses motivos, era para ser mesmo. — ou não!

Sobre o Sentido, temos pelo que vi, porque bom, ninguém é perfeito, apresento 4 Argumentos Principais:

O primeiro é o argumento teológico do Salvador, que seria Shu rivalizando com a ideia de Adão e Eva recriando a humanidade. Argumento esse que não é o principal por que tanto Shu quanto Gai nunca ligaram para isso, pelo contrário, sempre tiveram como objetivo principal, salvar suas amadas. Esse é o argumento romântico da história. Engraçado…Se Inori é Clone da Mana, carrega a mesma carga genética dela… e Mana é irmã do Shu…

Tem o argumento da Inori que perpassa todo o anime e que expliquei acima — da existência de si mesma, “eu sou eu” — eu sou as minhas afecções, minhas crenças, minhas decisões. É o que mais gosto.

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E por fim o mais amplo de todos, o argumento da Humanidade representado por Shu. Ele é o que nós somos. Erramos, tentamos acertar, queremos mudar, e podemos ser de fato humanos: como quando Shu salva um soldado da ONU nos últimos episódios: “Shu é a pessoa mais humana que conheci“. E isso claro, volta ao argumento Teológico do Salvador. A Referência é clara e quem conhece a bíblia lembra do Mestre.

Eu de cá, considero o final romântico. Não vou mentir, depois de entender melhor a história com toda a pesquisa, respeitei mais o autor. Não concordo porém…Acho que Shu morrendo seria mais “bonito”, mas talvez, não desse o sentido que ele queria.

Então finalmente é isso…ufa!
Abraços!

Fontes e Ficha do Anime:
Wikipédia: [Link]/ Wikia: [Link]
Mesmo Diretor de Death Note [Link]: Tetsurō Araki
“Quase” mesmo autor/roteirista de Code Geass [Link]: Hiroyuki Yoshino/ Episódio 22 via Wikia [Link]

Nota: 8,5, onde só Aria the Animation é 10!