Arquivo da tag: sangue

Yume Tsukai – Review do Anime/Mangá: Porque Sonhos, Alquimia e Sangue Combinam!

Que tal nós falarmos de um mangá pouco conhecido hoje? Trago para os senhores e senhoras, uma obra incrível mas que não falada no Brasil: Yume Tsukai. Também trago algo do anime porque muita gente pede e para fechar a conta.  Vamo lá!yume-tsukai-00-anime

Yume Tsukai – Review do Anime/Mangá: Porque Sonhos, Alquimia e Sangue Combinam!

Bem amigos do Afontegeek, venho pela primeira vez falar de um mangá: e escolhi um cujo autor considero um dos mais geniais de sua geração: Ueshiba Riichi. Em língua portuguesa tenho certeza que será a primeira vez alguém fala dessa obra: Yume Tsukai (mangá já terminado).

Outra coisa que devo falar é que este mangá só se encontra em inglês, e que tratarei até o vol. 4, que foi aonde parei, porque na época ainda não tinham terminado a tradução para o inglês.

Por fim quero dizer também que fizeram uma adaptação em Anime dele, mas que pouco tem haver com a obra original — para meu desespero. E que o mangá é quase um spin-off de Discommunication… que eu não consegui passar da primeira página de tão pesado O.O.

Enfim, vem comigo!

Anime x Manga

yume tsukai manga

O anime é um maho shoujo que guarda bem de longe a profunda psicologia/alquimia que o mangá tem. Isso é uma pena porque o anime virou uma espécie de ‘meninas super poderosas‘, com os dream users a cada episódio, salvando alguém de seus pesadelos — NADA Haver com o Mangá!

O anime também escondeu todos os grandes problemas que Ueshiba trabalha, e em poucas vezes teve coragem de mostrar o “terrível Tachibana” na sua forma mais completa, quando ele diz por exemplo: “As mulheres acima dos 30 anos já são entidades, como o big bang e as estrelas…”. Entendedores, entenderão. Acreditem ou não ele é um dos heróis da história.

Eu não tenho dúvida nenhuma que o anime deve ter estressado o ego do autor por causa dessa grandíssima covardia — dava para pelo menos respeitar os arcos originais?

yume-tsukai-animeA diferença com o anime começa com o público alvo: o mangá é um seinen/gore, muito, eu disse, muito pesado. É engraçado porque eu vi Elfen Lied, que tem muito mais sangue, mas mesmo assim, confesso que as imagens do mangá de Ueshiba me causaram mais ânsia.

Então, o Yume Tsukai é um seinen/gore, psicológico, filosófico, com um pouco de fantasia e Nada de maho shoujo. Até hoje me pergunto como eles mudaram tanto uma obra no anime…

A História e o Mistério

yume tsukai final arco

Yume Tsukai é em um palavra, genial. A estória começa com um relacionamento ‘shoujo-ai’ — menina x menina que só trocam no máximo um beijo — em meio a um mistério enorme que se revela ser um….não vou falar, hehe.

Mas além disso, Ueshiba nos brinda com um enredo shonen numa história seinen. Então espere muita ação, tiradas cômicas e alguns conceitos universais. Digo universais, porque não se tratam bem dos Yume Tsukai, mas são conceitos gerais de alquimia/ocultismo/simbolismo e psicologia acredito eu, Junguiana, cujos para você entender o que está acontecendo, ele tem mesmo que explicar.

YumeTsukai animeAcho que isso é um dos maiores problemas, além dos personagens serem pouco profundos: O autor tem realmente que explicar o que está acontecendo. Mas isso se deve não só pelos conceitos, mas pela diversidade de argumentos expostos. Essa é uma escolha que é abandonada acertadamente em Nazo no Kanojo X — não é preciso explicar o início do desejo sexual na puberdade, basta colocar Tsubaki sonhando com sua namorada.

Falo isso, porque expor o leitor a coisas muito difíceis cansa. Eu fiquei cansado em diversos momentos por simplesmente não entender/acompanhar os argumentos que estavam sendo contados.

Sentidos da Obra

"mother earth"
“mother earth”

Final do primeiro arco estavam sendo trabalhados: A morte, O medo da morte, A passagem de ser que ela pode significar, Ser o mesmo que o outro, universalidade e individualidade…Era muita coisa.

Mas isso tudo numa página só, com lindos desenhos e a líder dos Yume Tsukai, com problemas de alcoolismo por não conseguir superar a morte de seu pai, demonstrando qual a melhor decisão possível a ser tomada (não era a mais fácil, mas era a melhor possível).

É engraçado porque, esses argumentos foram os que eu peguei. Mas sei que haviam muitos outros: A Mãe Terra; a feminilidade x masculinidade; A união dos dois pólos, enfim. É uma obra complexa e pode cansar o leitor. Mas que vale à pena pelo aprendizado, pelos belos questionamentos, e pelas respostas que nós mesmos daríamos ao nos colocarmos diante daquelas situações.

O que são os Yume Tsukai?

"Sacerdotisa"
“Sacerdotisa”

Não vou falar — por causa do mistério do primeiro arco. Mas eles NÃO são os guardiões do sonho ou coisa parecida, que é o que aparece no anime. Esqueça isso. A coisa é mais profunda. Digamos que eles são… Os Intermédios entre duas realidades. Realidade essas que fazem parte de um mesmo mundo o.O. Falei que não ia explicar.

Eu faço ressalvas para uma coisa. Todos os Yume Tsukai de uma certa maneira têm algum ‘problema’. Perda de ente querido, ter medo de passar para outra fase da vida — casar sei lá! — algum distúrbio psicológico grave, mas que a sociedade japonesa acha bonitinho…

Mas a superação de cada problema se encontra exatamente no ser um Dream User, um usuário do sonho. Porque vai-se constantemente ter de enfrentar esses problemas cara-a-cara. Então enquanto eles ajudam alguém, melhoram a si mesmos — igualzinho na vida real.

Conclusão e Indicação

yume tsukai 2

A história tem muitas imagens fortes. Gore, conta problemas Graves que parecem ser esquecidos pela sociedade Japonesa, shoujo-ai, questões filosóficas, alquimicas, psicológicas e tem o problema dos personagens pouco profundos…

Mas Indico pela profundidade dos argumentos, pelo aprendizado que é entender melhor os símbolos, pela Rinko (a super genia school girl!), pelo mistério e pela história em si. A obra é de uma genialidade sem igual. Pena que não traduziram o resto dos volumes enquanto estava lendo. Mas agora acho que já terminaram (sim em inglês).

Enfim, abração e bom mangá!

Fonte:
MangaUptades
Wikipedia