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Star Wars O Despertar da Força – Review: Qual Jornada do Herói/Heroína? (Episódio VII)

Olá minhas amigas e meus amigos, como vão? Sim… prometi que faria a review dos filmes Star Wars da Disney quando comecei a maratona de reviews de todos os filmes da saga. Finalmente chegou a hora de começarmos já que o episódio IX está nos cinemas. Será que J.J. Abrams conseguiu entregar um bom filme aos fãs?

Star Wars O Despertar da Força – Review: Qual Jornada do Herói/Heroína? (Episódio VII)

Em pleno fim do ano cá estamos para dar inicio ao fim de nossa grande saga épica de reviews dos filmes de Star Wars. Primeiro começamos do final, avançamos para os filmes dos anos 2000 e chegamos finalmente aos longas “Star Wars da Disney” como me acostumei a referir. Eles têm uma visão única da franquia, completamente avessa e diferente do que Lucas faria, e espero deixar esse ponto claro no decorrer das reviews.

Enfim, depois da franquia ficar mais de um década na geladeira, é lançado em 2015 O Despertar da Força, com direção de J.J. Abrams que já havia dirigido dois filmes de Star Trek e carregado eles de ação. A direção e o roteiro é bem característico do Abrams (um roteiro bastante corrido, contando acontecimentos a cada momento, o que faz que seus longas nunca parem no mesmo lugar) e se esperava que ele a empregasse também no seu primeiro filme de Star Wars.

E sim, essa review assim como as anteriores tenta trazer aquela visão diferente das críticas e reviews comuns que vocês vêem por aí. O texto fala essencialmente de 3 temas: Fanservice, Fãs vs. Diretor da vida Real, e por fim o sentido da obra que permeia todo ele, de Quem é a Jornada?

Fanservice

O Despertar da força tem um ponto que o nosso amigo Ródi (ex-editor do site) sempre falou sobre Star Wars: “Admintb, nos filmes de Star Wars o primeiro é sempre alegre com o mal ao longe… o segundo é o mal em todo seu poder… o terceiro o bem vence”. Ironicamente eu fui ao cinema ver o Despertar da Força na estreia e eu estava disposto a provar que essa tese do nosso amigo estava errada. Mas não. Ele tinha razão!

O Despertar da Força tem seu roteiro inteiramente inspirado na Nova Esperança (ep. IV). Tem um pouquinho também da Ameaça Fantasma, mas a grande fonte que ele bebe é mesmo no filme dos anos 70. Primeiro aquela coisa de “Os segredos do mal estão aqui e precisamos encontrar alguém para nos ajudar” e ao mesmo tempo corre o plot da “Aquela pessoa que é ninguém mas que no final faz grandes coisas!“.

No fundo esse tipo de armação do roteiro é o maior fanservice do filme. Maior que o Han solo e o Chewbacca, maior que a Milleninum Falcon e maior ate que o Kylo Ren “I wanna be Darth Vader“.

Mas é claro que apesar de termos esse roteiro bem desenhadinho o estilo do Abrams aparece a olhos vistos. Ação frenética em que toda hora acontece alguma coisa que causa uma correria entre os personagens da trama. E no meio disso tudo, temos um piloto (eu nem lembrava dele!); a menina que será o novo Luke (ou a nova Anakin) que é uma simples catadora de lixo solitária, e o personagem até agora com background mais interessante, o Finn (aquela numeração randômica é coisa de fã maluco, não vou lembrar).

Fãs Vs. Diretor da Vida Real

Han solo morre no filme. Acho que o interessante não é nem o parricídio (o filho matando o pai e sofrendo horrores por não saber se conseguirá cumprir a sua Jornada de Vilão/Antagonista). A cena só é marcante do ponto de vista cinematográfico (ou só eu lembro da ponte que Luke e Vader lutaram praticamente nos três filmes dos anos 70?) e dramático também. Star Wars é sim carregado de drama teatral e isso, apesar de brega, é o que torna a saga tão querida pelos fãs.

A morte foi feia, porém? Ela foi melodramática. Mas quem é “fã das antigas” sempre soube que Harrison Ford queria há muito tempo que Han Solo morresse, e na verdade foi um “favor” que J.J. Abrams fez para o ator. Sim, o sentido da morte do Han Solo pela primeira vez em muitos anos (além do Retorno de Jedi) se deu por um fator externo ao filme. Daí, e só daí que a Jornada do Kylo Ren pode ser pensada no sentido do longa.

E é interessante como “aquela luta interior” dele de não sabermos ao final se ele vai se tornar ou não um malvado Sith, ou se a Rey (que é extremamente overpower) vai ou não se tornar uma Jedi… ou uma poderosa Sith (e quem sabe A Jedi, porque… sem treino fazer o que ela faz é uma loucura total, mas né?). E até mesmo o Finn, que mesmo com medo da Primeira Ordem (por ter sido “robotizado” por ela) sem pestanejar ou “fugir” de pegar o sabre, toma e o empunha para salvar a sua “friendzone”. Pronto, é isso.

Aliás, os três personagens principais do longa também passam pelo seu “fugir da jornada”, a “negação do fardo”, o que torna tudo ainda mais confuso de um certo ponto de vista. Geralmente quem anda pelos passos da Jornada é quem será o plot principal do filme, mas neste, todos os três vivenciam a sua jornada. Ao mesmo tempo.

de Quem é a Jornada?

E aqui ficou a pergunta para quem terminou de ver o filme. De quem é a Jornada? Se você pegar por exemplo, como expliquei na review da Nova Esperança, nós tínhamos Luke e Ben Kenobi (depois Yoda), que eram o “Escolhido pela força e seu mestre sábio”, e o “O Casal Épico +1” da princesa Leia, Han Solo e Chewbacca.

Aliás, Lucas se preocupou bem em separar esses dois grupos em todo o decorrer da Trilogia Clássica para deixar claro que o Épico familiar que ele estava tratando, era sobre Luke, Vader e Leia — mesmo que Leia estivesse principalmente lutando pela democracia e contra a ditadura do Império Galático, porque essa era a história épica dela.

O Casal do Épico… e o Dom Quixote de lata

A mesma coisa nos filmes dos anos 2000. Havia uma separação clara do escolhido e seus mentores, e o resto da história com o perigo dos Sith se aproximando. De um lado o épico do herói, ou no caso do Anakin, a história da sua caída no abismo para cumprir a profecia de colocar equilíbrio na Força; e na outra toda a questão política dos Jedi serem uma espécie de Braço Armado da Republica e os Sith se aproveitando disso.

Lucas mais uma vez, com seu estilo próprio, se preocupou em contar bem o Épico familiar e aquilo que o cercava, não dando uma atenção “absurdamente grande” no quesito político ao Épico, porque Jedis sozinhos não vencem exércitos.

Mas no Despertar da Força, qual Jornada é a Jornada? De qual épico nós estamos falando? Será a Jornada de Rey que ao mesmo tempo que procura seus pais tem um poder (muito poder mesmo, quase uma saiyajin) absurdo com a Força? Ou será o Finn que pôs sua individualidade à prova e se negou a cometer crueldades e foi soltar o “piloto que eu não lembro o nome”, não porque ele queria ser da Resistência, mas porque era o Certo a se Fazer.

Ou será que estamos acompanhando uma outra jornada de decaída, do Kylo Ren lutando (praticamente como sua geração luta) com mascaras maneiras que imitam a de seu vovô maneiro, porque ele quer ser muito, mas muito mal igual ele foi, e ainda não é mal o suficiente?

Primeira Ordem: Quem são? D’aonde vem? Talvez num próximo filme…

Essas três jornadas estão juntas e misturadas a uma guerra entre uma Republica sem dinheiro nem para comprar destroiyers (pelo amor de Deus a resistência lutando contra o Império tinha uma armada galática de mais respeito!) e um grupo político chamado Primeira Ordem liderada por um Sith extremamente misterioso e temido, mestre do Ren. Quem são afinal, Snoke e Primeira Ordem? De onde vieram, como surgiram?

Conclusão

Cadê o beijo?

São perguntas demais. Perguntas demais até para um filme Star Wars. Mas ver a Millenium Falcon voando de novo, a interação Leia e Solo (cadê o beijo na boca Disney??), os tiros, e até a cena dantesca de ver o Harrison Ford dando um soquinho num guarda (eu ri horrores!) coisa clássica do ator que ficou com ele até em Indiana Jones, foi muito, mas muito legal. Fanservice meus amigos, fanservice. Não é só coisa de anime não.

E aquele final… Tomadas aéreas completamente desnecessárias ao encontrar o grande sábio mestre, agora Luke Skywalker, numa atuação também dramática do Mark Hammil, que coitado, não pôde dizer uma palavra em duras horas de filme. Melodramático, brega e legal, como filmes de Star Wars devem ser. O verdadeiro problema não foi as doses cavalares de fanservice, mas as várias perguntas demais em demasia. E a falta de foco numa Jornada e numa história. Será que as coisas melhoram no episódio VIII?

Veremos.

Star Wars – Crítica do Retorno de Jedi (Episódio VI): O Final Feliz que Precisamos

Olá meus queridos e minhas queridas leitores e leitoras, sim, eu voltei com a tão esperada (tá certo nem tanto) e muito prometida crítica do Retorno de Jedi, Episódio VI, de Star Wars. Como a maioria das críticas de star wars falam das mesmas coisas, as minhas sempre procuram abordar os filmes de formas diferentes. E ai, você acha que o final feliz do Episódio VI era uma necessidade?

Star Wars – Crítica do Retorno de Jedi (Episódio VI): O Final Feliz que Precisamos

Afontegeek Especial: Críticas de Star Wars
Episódio I – Episódio II – Episódio III – (Rogue One) – Episódio IVEpisódio V Episódio VI – Episódio VII

Olá a todos meus bons e boas leitoras, como vão, tudo ok? Há algum tempo eu havia prometido fazer as críticas/reviews/resenhas de simplesmente TODOS os filmes de Star Wars, mas devido a diversos contratempos melhor explorados aqui essa crítica foi se arrastando até hoje, o fatídico dia.

Se você bem leu minhas últimas reviews sobre a “cinematografia” de SW, sabe que eu sempre exploro coisas diferentes dos sites, críticos e canais do youtube falam, ou ao menos, dificilmente falam.

Na primeira resenha sobre “Uma Nova Esperança” eu acabei tratando bastante do papel de “heróis formados” que o grande Dom Quixote e Sancho Pança, AKA, C3PO e R2D2 tiveram na película, se portando como os verdadeiros heróis, já em si, daquele longa.

Já na crítica do maravilhoso e para mim, melhor dos filmes de Star Wars até, “O Império contra-Ataca“, falei um pouco do começo da formação do nosso trio de heróis, Luke, Leia e Solo, mas eu dei um foco naquilo que mais o mundo queria naquela época: O LADO NEGRO DA FORÇA. Os encantos do Império, que bem sabemos, todos nós gostamos — até Michael Jackson sabia que a humanidade gosta de uma maldadezinha, com seu Thriller.

Mas e agora? George Lucas continuaria o caminho do lado negro da força para o desenvolvimento pleno de nossos heróis, já que “aparentemente” era o que o mundo queria? Ou ele simplesmente seguiria até o fim na Jornada do Herói?

A volta Épica de Luke

Eu fico assim pensando se nos meus textos eu trago logo a cereja do bolo para completar a bagaça ou se deixo ela para o finalzinho. Como sempre, prefiro deixá-la para o finalzinho. Sempre tem algumas coisas para comentar primeiro. A primeira delas aliás, é, já repararam como Luke sempre foi o personagem “que está por crescer?”.

Isso meio que faz pensar porque Mark Hamill ficou tão  estigmatizado com o personagem: talvez ele tenha sido tão bom ator, para conseguir atuar como o “cara sempre inseguro”, que diretores de outras obras acabaram por ficar com medo de chamá-lo para seus longas.

Se bem lembro o Mark tem formação shakespeariana e é inegável que ele atua EXATAMENTE como Lucas (o produtor) e os diferentes diretores de Star Wars pediram para ele: o rapaz para sempre inseguro. Mas lembrem-se que é Mark quem dubla o Coringa nos USA….

De certo que em “O Retorno de Jedi”, esperávamos que essa insegurança do personagem finalmente fosse suprimida, e pode-se dizer que de certa forma ela foi. Ele finalmente era um Jedi formado… Ou será que não? Se Yoda dizia que ele tinha de derrotar seu próprio pai,  (ou a sí mesmo) para conseguir se tornar um Jedi, então devemos acreditar que o Yoda tinha razão.

E então, apesar daquele aparecimento épico para salvar Solo e Leia das mãos (ele tem mãos?) de Jaba, continuamos por cair na questão freudiana do “filho que supera o pai”. Ao meu ver, Luke SEMPRE havia superado o Anakin por sempre ter resistido ao lado negro da força, e portanto, apesar de sua figura insegura que os autores insistiam para o Mark atuar, para mim, ele sempre foi um cara “realizado”. Mas guardem consigo esse adendo: “Filho que Supera o Pai”. Voltarei nele na seção final.

A Princesa Leia (que era mulher de verdade)

Recordo de ter conversado com uma amiga que é fã de Star Wars e ela não gostar nada da Leia. Como eu desde criança queria casar com ela, ouvi isso completamente puto e verdadeiramente indignado. Mas muito da “ranzinzice” dela tem a ver com a cena clássica da Leia vestida de Escrava.

Se vocês forem ler meu post do Cosplay da Leia, lá eu indico um texto do Rolling Stones que explora melhor o assunto: e da própria Carrie Fisher posando para algumas fotinhas maneiras e sendo entrevistada… Ela parecia curtir. Sigam o link e vejam lá.

Carrie Fisher Slave Leia costume Rolling Stone 1983

Pois então, minha amiga achava que por conta desta única cena, que a personagem era “sexualizada” pelos nerds. Mas veja, era SÓ nesta cena. Ao mesmo tempo, se você pegar textos de autoras americanas, elas vão falar sobre o quanto a Leia tinha o “girl power” nos outros episódios da série (o que hoje alguns chamam de “empoderamento feminino”), e o quanto elas ficaram fulas depois que viram a cena da Slave Leia (ou Slayer Leia, como diz a própria Fisher).

Eu vou falar o seguinte: a Leia sempre foi dita ser a Skywalker com maior poder da força entre eles. E que ela era mais forte que Luke, obviamente. Além disso, ela matou o Jaba com as próprias mãos. Sem piedade.

Ajudou a se salvar no Episódio IV. E ela ainda era a líder general da Resistência Rebelde (papel que reprisou no episódio VII). Mais empoderada do que isso só a Margareth Thatcher e a Elisabeth I. E a Zelda também (tanto a Fitzgerald quanto a do Miyamoto). E a Fitzgerald era sexy.

Então meus amigos e amigas, eu ainda quero casar com a Leia e estou cagando e andando para você, que prefere a Padmé, mesmo ela não tendo feito ABSOLUTAMENTE FUCKING NADA, nos episódios II e III e ainda sofrer violência doméstica no fim do III. Sim, estou falando para minha amiga que também prefere a Padmé. Sim, sou desses. E só para melhor fechar o assunto da “sexualidade”, eu poderia argumentar que os tempos eram outras e tals, mas lembrem: a Carrie Fisher fez porque quis, era trabalho, e gostava sim.

Como diz a Mulher Maravilha: a mulher tem o direito de fazer o que bem entender e de vestir o que bem quiser. Acordem senhoras e senhores, os tempos de puritanismo acabaram, e nos anos 70 todo mundo já sabia disso. E a Leia beijou na boca o irmão. CHUPEM! Sejam puritanos em casa, por favor.

ps: se você tem alguma dúvida ainda sobre isso e souber um pouquinho de inglês, leia essa entrevista que a Carrie Fisher deu sobre o assunto um pouquinho antes de nos deixar.

“Filho que Supera o Pai”

Voltando ao tema central desta crítica… Falei rapidamente que George Lucas deveria continuar tratando do mal, e pausei justamente na cena que Luke se vê no capacete do Vader. Pois muito bem, num post um pouco antigo no site DigitalSpy, Lucas revela que numa conversa com seu co-escritor Lawrence Kasdan, Luke deveria ficar MESMO no lugar do Pai:

“A máscara era a última marca – e então Luke a coloca e diz, ‘Agora Eu sou Vader’. Surpresa! O plot twist derradeiro. ‘Agora eu vou matar e destruir a frota (resistência rebelde) e dominarei o universo'”

Surpresos? Como eu disse no começo do texto, aparentemente o mundo QUERIA o Mal, porque ele parece reluzente, e doce como é um doce de chocolate para um alérgico à chocolate, e um gelado e saboroso sorvete o é para um intolerante à lactose. Mas Lucas parecia ter a total impressão de que o “gostinho” do mal era o que o mundo queria e precisava de Star Wars no “Império” e não como um desfecho para a sua recente trilogia.

Fechá-la com um final ruim aos moldes de Shakespeare e como seria o “desejo” de Freud talvez elevasse um pouco mais a categoria do filme, de um blockbuster para uma obra da posteridade como o é, o Império. Mas não parecia ser o seu desfecho lógico. Nisso, Kasdan, o co-escritor, respondeu:

Ewoks “ursinhos carinhosos” “for kids” que são a cara da Dilma

“É assim que eu acho que deveria acontecer”.

(final ruim)

Lucas porém, não o quis, insistindo que o filme era “para crianças”. É, eu sei, também sinto um espanto com “para crianças” — até hoje eu sinto isso quando leio “for kids”.  Vamos voltar um pouco ao argumento de “Superar o Pai”.

Luke, como eu havia dito, sempre superou Anakin por sempre resistir ao lado sombrio da força. Não faria sentido lógico algum para a sua jornada pessoal, que finalmente confrontado com o abismo, ele caísse dentro dele. O próprio personagem, mesmo com aquela atuação insegura pedida pelos diretores, não faria sentido se no fim, toma-se o lugar do pai no Mal. Ele não o superaria, só o sucederia.

Mas como vimos no fim, a Jornada do Herói se deu como deveria: com Luke vencendo o pai, e o ajudando a se salvar dele mesmo. O filme é para crianças, eu vos pergunto? Talvez. Mas lembrem-se: Star Wars é um épico. E Épicos são sempre histórias formadoras de caráter.

Fonte: DigitalSpy.com [Link]

Star Wars – Crítica de Uma Nova Esperança (Episódio IV): Os Heróis do Início da Jornada e o Mistério atrás da Máscara

Em pleno natal cá estou escrevendo a primeira grande crítica (ou resenha, ou review) que farei de todos os filmes Star Wars. Começando pelo começo, para ser preciso, com a crítica do Episódio IV, Uma Nova Esperança. Vamos descobrir as motivações deste clássico épico e nos defrontar com os verdadeiros heróis do primeiro filme da saga. Vem comigo!

Star Wars – Crítica de Uma Nova Esperança (Episódio IV): Os Heróis do Início da Jornada e o Mistério atrás da Máscara

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Afontegeek Especial: Críticas de Star Wars
Episódio IEpisódio IIEpisódio III – (Rogue One) – Episódio IV  Episódio V Episódio VI – Episódio VII – Episódio IX

Muita coisa pode ser dita sobre a filmologia de Star Wars. O próprio George Lucas (que na época havia ido para o Japão e voltado com influências de lá), que fez os roteiros dos seis filmes de uma única vez, já revelou em diversas entrevistas, que Stars Wars se trata de um épico familiar que se passa no espaço — Uma Space Opera que passa ao redor dos dramas de uma família.

Eu até poderia ir por este caminho para começar a nossa série de críticas, mas vou fazer uma coisa melhor. Em cada filme vou explorar o seu sentido, sempre tendo em lembrança que Star Wars é um Épico Espacial que passa ao redor de uma família (siga o link para entender o que são Épicos Espaciais e como eles se diferenciam de Ficção Científica).

Sabendo disto, quais pontos vou explorar agora? É o que vamos ver.
Vem comigo!

O Chamado dos Heróis e da Heroína

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Todo épico começa com o Chamado do Herói. Eu explico que são Épicos seguindo o link. Mas de uma forma mais simples, este chamado é quando uma pessoa, que geralmente vive uma vida no campo, ou afastada dos tumultos, recebe o chamado da aventura. De começo ele ou ela é relutante, porque né? Ele nunca viu as guerras clônicas, e seu pai era só um dos motoristas durante o conflito.

Mas relutantemente, ele aceita o Chamado. E claro, ele precisa de um sábio mestre para guiá-lo neste começo de Jornada (O Obi Wan é o clássico do clássico dos “sábios mestres”). Mas de uma forma geral, esta jornada é facinha assim — a aventura bate à sua porta. Digo o mesmo do Han Solo… que é quase um anti-herói — uma pessoa que de herói não tem nada… mas tem o coração bom e poxa vida, né? Cara, é o Han Solo… sim sou fã dele.

Cena Clássica de Star Wars: Uma Nova Esperança

E também da Princesa Leia, que é a maior referência do mundo geek/nerd/gamer, daquela (mulher) princesa e guerreira, que não se entrega jamais (Princesa Zelda… eu sei em quem você se inspirou), mas que não esquece de ser gentil quando é possível.

Aliás, quando vi Star Wars, sempre quis casar com uma mulher como a Princesa Leia… Mas até ela, recebeu o chamado quando foi “””resgatada””” (ela praticamente se salvou) pelos jovens heróis. Ali, Leia encontrou a aventura.

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Mas isso é o básico de cada Jornada. O que estou dizendo aqui não tem nadica de nada de novo. O que ninguém te diz é o seguinte: quando o herói recebe o chamado, ele Ainda não é Herói. Ele vem a se tornar como tal, apenas, durante a Jornada. Como se fossem pedras que precisam ser lapidadas, entende? É aí que me deparo com…

Os Verdadeiros Heróis de Uma Nova Esperança

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Eles mesmos: C3PO e R2D2

Decifrando a primeira parte do título desta crítica, os verdadeiros heróis são o R2D2 e também seu fiel companheiro, o C3PO. Aliás, o arquétipo de ambos os robôs não estão ali apenas para lembrar o homem de lata do Mágico de OZ. Mas antes, para se remeter a Cervantes. Aqueles cavaleiros fieis a seus mestres, um alto e franzino, o outro gordo e sagaz. Nossos queridos robôs são eles dois: Sancho Pança e Dom Quixote.

E além disso, eles são os Heróis já formados. Vamos entender Star Wars aqui como se você não tivesse visto os Episódios da Trilogia dos anos 2000 (Episódio I, II e III). Então, como saber o quanto eles foram heroicos, se vocês não viram os filmes anteriores? Sendo assim, você não sabe que eles são heróis, certo?

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Sancho Pança e Dom Quixote do espaço

Mas horas… quem recebe a missão de encontrar Kenobi? Quem consegue salvar seu amigo para que ele fique com o novo “jovem mestre”? Quem tem os planos da Estrela da Morte e consegue ajudar aqueles que iniciaram seu caminho, a escapar e depois destruir a própria Estrela da Morte? Quem estava até o último minuto com Luke no X-Wing, mesmo sendo gravemente ferido, e ainda assim sai de lá vivinho e cheio de coragem? Exatamente.

Nossos queridos Sancho Pança e Dom Quixote de lata, nossos robôs mitológicos, que diversas vezes salvam a vida dos jovens heróis, são os verdadeiros heróis, já formados, sem precisar de passar pela Jornada, de encontrar um “sábio mestre” ou de se meter em dilemas morais como “Só estou aqui pela grana Princesa”. São eles R2D2 e C3PO. Os mitos!

Claro que não vou estragar a infância de vocês e revelar o mistério por trás de alguns dos robôs mais famosos do cinema (veja nossas curiosidades). Mas mesmo eles, Han Solo, Leia, Luke ou ninguém daquele filme ficou tão famoso quanto…

O apresentar da Força e do Principal vilão da Cultura Pop!

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Se vocês não sabem, antes de Star Wars não havia Cultura Pop como conhecemos hoje. Não havia cosplays. Não haviam tantos nerds e geeks como temos agora. Eu falo isso no nosso último podcast. Mas… digamos que você vê um filme que apresenta o início de uma Jornada do Herói. Um amigo meu fala que todos os filmes de iniciar da Jornada de Star Wars, são distantes da maldade e crueldade do mundo, vamos dizer assim.

Quando um épico se inicia, o mal é sempre uma sombra, algo distante, como um pesadelo. E se o mal for muito “fraco” ou “bobo”, para quê se chamar um herói para enfrentá-lo? Se o Mal a se enfrentar é bobo, perde-se todo o interesse e necessidade do Herói. Mas cá está ele em Star Wars: Darth Vader.

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Matou o pai e o mestre do jovem herói. Se mostra impiedoso com os seus. E ainda domina poderes desconhecidos. Este apresentar do Maior Vilão da Cultura Pop foi o principal motivo, em minha opinião, que garantiu o sucesso de Star Wars. Não se trata de uma história sobre heroísmos bobos ou sacadas inteligentes. Se trata de enfrentar o Império que domina a Galáxia e tira a liberdade das pessoas — Império personificado no Darth Vader.

Se trata de enfrentar o vilão que pessoalmente feriu o jovem herói duas vezes! Ou seja… não é só um drama político. É um drama Pessoal e Familiar. E além disso, este vilão é o único que parece realmente conhecer este poder estranho, chamado “Força”, que é mais maravilhoso que a Estrela da Morte. A Força é tão poderosa, que graças a ela, Obi Wan aconselhou o jovem Luke. E graças a Força ser poderosa nele, que Luke milagrosamente acertou o alvo — para destruir a estação bélica capaz de destruir planetas!

E o próprio Darth Vader tinha avisado que a Força era muito mais poderosa que a estação de batalha…

O Mistério atrás da Máscara

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“Eu acho Perturbadora a sua Falta de Fé”

O grande mistério do filme Uma Nova Esperança, residiu atrás da máscara daquele ser terrível, capaz de engarguelar um político com a Força e de causar medo ao governador. Por todo o mistério e poder escondido na capa escura e naquele “rosto sem rosto”, que Darth Vader passou a ser o grande personagem do filme que veio depois.

Porque o que garantiu o sucesso daquele épico, não foram Sancho Pança nem Dom Quixote. Muito menos o herói bandido, a princesa amorosa e guerreira, e nem o jovem Luke. O que garantiu o sucesso da franquia e de sua continuação, reside inteiramente no mistério de Quem Era Darth Vader. Quem era este ser poderoso? Quão forte ele é afinal? Que poder é este chamado Força, que o fez derrotar Facilmente seu antigo mestre?

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“Matou o mestre do Jovem herói”

Aliás… o motivo mais forte do personagem principal de “O império contra-Ataca” não ser nenhum dos três mocinhos ou dos dois robôs “engraçados que resolvem os problemas” ter sido Darth Vader, foi por causa do mistério que ele causou ao público nas suas primeiras aparições em “Uma Nova Esperança”. Resumindo…

Darth Vader não apenas garantiu a existência de Star Wars — cujos atores nas primeiras cenas, percebe-se claramente o Medo que tinham daquela loucura espacial dar em nada. Darth Vader além disso, acabou fundando a Cultura Pop como conhecemos hoje. E foi por causa disso que no segundo filme ele roubou a cena.

A Primeira vez que Darth Vader aparece: sem a Marcha Imperial; por que Darth Vader ganhou sua trilha sonora na continuação?

Mas vamos falar do segundo filme, na nossa próxima crítica. Só me resta a dúvida: George Lucas sabia da grandiosidade do Darth Vader? Ele previu o sucesso do personagem e assim, deu a ele o protagonismo em O Império Contra-Ataca, já nos roteiros iniciais?

Sobre essa última pergunta… eu penso o seguinte: O Império Contra-Ataca já estava pronto junto com os outros cinco. Mas Darth Vader ganhou a importância que teve, por causa de Uma Nova Esperança.

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Carrie Fisher linda como sempre

Enfim, nos vemos na próxima crítica!