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Death Note – Review do Anime: Raito (Light) e a busca pelo Sentido da História

Esse é um dos textos quais tive que fazer uma pesquisa imensa então estejam preparados, e sejam bem vindos à Review do anime Death Note, na busca pelo Sentido da História, no nosso já clássico “Conversando sobre Animes“. Vem comigo!

Death Note – Review do Anime: Raito (Light) e a busca pelo Sentido da História

Death Note, quem diria! Antes de qualquer coisa preciso deixar claro duas coisas: essa review terá muitos Spoilers, então esteja atento ou atenta enquanto estiver lendo o texto. É inteiramente por sua conta e risco… espero que vocês já tenham visto o anime!

Segundo que neste texto proponho um Argumento cujo debati com dois fãs dessa obra: um dos antigos editores do  blog, o Rodi, que inclusive leu o mangá, e um outro amigo meu também fã da obra. Tenho certeza que este argumento consegue desenhar o caminho lógico da obra. Vamos a ele:

O Argumento sobre DN

1 – Raito (Light) é o Narrador da história, conhece todos os caminhos cujos esta percorre; ele tem acesso a todos os dados presentes e passados, idos e vindos.

2 – Raito é perfeito (essa é a premissa mais fraca, mas me apoio no que “L” falou: “Esse garoto [parece] é perfeito”)

Conclusão: Raito é o Death Note (história). Caso não houvesse Raito, não haveria história.

“Raito (Light) é o Narrador e tem acesso a tudo no Anime.”

Baby, baby? Justin Bieber…tá anotado.

Sabemos muita coisa sobre ele, mas não sabemos todos os seus pensamentos (em cenas extremamente “chatas” para mim) sobre coisas que ele fará, ou que estão sob seu controle.  Porque é ele Quem nos conta a história e decide a hora de nos contar. A história segue sob seu controle até o aparecimento de Mello e Near, ou seja, até ele se tornar adulto.

Kiyomi Takada — como mulher sofre!!

Saber que alguém vai  investigá-lo; contar com a “sorte autoral” quando precisa… O fato que mostra bem essa premissa, é quando ele “perde” a memória.

Primeiro, nós não sabemos o que se deu no anime todo, somente  Raito sabe — nem tampouco o que irá se dar, ou seja, o seu plano. A coisa chega a tal ponto, que me leva diretamente à segunda premissa:

“Raito é Perfeito”

Ele não é apenas lindo, sabe lidar com as mulheres — as domina. É o personagem mais inteligente do anime inteiro (quanto policial BURRO!), e por saber tudo o que está ocorrendo por termos a visão dele como narrador, ele é invencível (ao menos até a adolescência).

Por que adolescência? Formulei uma teoria do que vi no blog Otakismo, sobre a adoração que os japoneses têm com essa parte da vida, a juventude. Quando eles crescem, não têm o que fazer a não ser seguir o ciclo “predestinado” pelos mais velhos: trabalhar duro, voltar pra casa, trabalhar mais duro, ser o melhor…

Essa arte é belíssima! Às vezes eu não dormia com os olhos dos personagens na minha mente…muito bom!

Desde a adolescência com certa liberdade, já existe a busca por ser o melhor, o estudo muito focado na retenção de conteúdo… O que nos leva a uma vida sem saída.

Logo a juventude por ser a melhor época da existência, é a mais retratada nos animes, o que me leva a teorizar que Raito não erra até aparecerem Near e Mello, porque ele ainda é adolescente.

 

Mas voltando a primeira premissa, “ele nos conta a história, logo sabe tudo o que ninguém mais sabe“, o que o torna invencível, me leva a um corolário terrível para os fãs — e passando pela premissa, “Raito é perfeito”: “Lnunca teve a menor chance de vencê-lo.

L erra muito (não é perfeito). Fala com Raito seus planos, o chama de “amigo” e realmente o sente como amigo. Por mais que pareçam “jogos mentais“, os erros levaram a cena cuja Raito não teve total controle: A que Remu decide matar L e Watari.

Corre L, tão tentando te matarrr!!

Esse ep. 25 (Silêncio), junto o ep. 13 (aonde o pai quase mata Raito e Misa) e também o ep. 37, são os únicos geniais e perfeitos da animação. A motivação, o roteiro, a trilha sonora, a direção, a arte, a fotografia. Esses ep. valem à pena toda a obra cansativa que é Death Note. Sim. Death Note é cansativo por conta do Roteiro Clássico que exige uma demora desnecessária nas explicações de cada diálogo mental que Raito trava, às vezes com Ryuk.

Personagem Genial!!!

Por que desnecessárias? Porque não nos mostram as verdadeiras decisões que Raito toma, cujas vão dar o andamento da história. Como a que ele faz a troca “absurda” de cadernos.

Voltando ao ep. 25 (penso que os 25-13 foram momentos que os autores pensaram em acabar a história mas desistiram), Raito não tinha mais o que fazer, a não ser esperar a decisão de Remu. No final ela decidiu morrer para estender a vida de Misa.

“Raito é o Death Note”

O único personagem de anime que quase me excita por ser dual: cruel/boazinha ao mesmo tempo…

Primeiro se diz que cada Shinigami tem um só caderno. Depois, na verdade cada um tem dois. Ai foi o o Ryuk que roubou um. No final aparecem tantos cadernos que me perdi. Mas nada de mais.

Entre as suposições que também chamo de erros lógicos (ou “Sorte de Raito”) os fatos como a não invasão da casa dele para achar o caderno, etc…

Como mulher sofre!

A morte mesmo da esposa do idiota do Ray Penbar é muito forte. Algo ajudou ele quando fortuitamente a encontrou. Raito mesmo nos fala “alguém além do deus da morte está do meu lado” — os autores! O aparecer fortuito do segundo Kira (chata/excitante Misa) a Kiyomi Takada… mas é tanta coisa, que provam a conclusão: “Raito é Death Note“.

Erros e Suposições Lógicas

Entre alguns erros, separo Misa. Ela fez duas trocas do olho diminuindo a vida duas vezes, e pelo caderno:  32 – …mesmo que a troca dos Olhos de Shinigami tenha sido realizada, o humano perderá tais olhos, além da memória. Já a metade da vida paga pelos olhos não será devolvida.

A arte é em DN é um Primor!

Mas tem o caso da Remu ter salvo a vida dela, o que acrescentaria a vida do Shinigami para Misa: 36 – … matar um shinigami é fazê-lo salvar intencionalmente a vida de um humano… sua expectativa de vida será passada ao humano salvo e o shinigami morrerá] mas ao que parece, não é bem assim.

Pelo que lembro, só se diz que morrendo o Shinigami a vida será estendida porque obviamente a pessoa iria morrer, mas o deus da morte a salvou. Para dar força ao que penso, vamos dar uma olhadinha a mais no “How to Use” do caderno:

How to Use: XVII
If the god of death decides to use the Death Note to kill the assassin of an individual he favors, the individual’s life will be extended, but the god of death will die. (Se o deus da morte decide usar o Death Note para matar o assassino de um indivíduo, e essa morte o favoreça, a vida do individuo será estendida, mas o deus da morte morrerá).

Mas vamos com um pouco mais de calma e analisar direito o negócio, porque até aqui, a Misa realmente deveria ter morrido antes de chegar no final — e eu tenho pra mim que deveria mesmo… seguindo a lógica.

Então, seguindo o How to Use V aonde ele nos diz que “The human who becomes the owner of the Death Note can, in exchange of half his/her remaining life, get the eyeballs of the god of death…” (O humano que se tornar o dono do Death Note, pode pegar os “Olhos do deus da morte” em troca da metade sua vida restante…).

Misa-gives-L-a-peck

Fazendo uma conta rápida, se Misa no primeiro acordo vivesse até os 100, fazendo ele aos 18-21 (100-21=79/2= 40, ela viveria até uns… 60 anos). E como ela também realizou o segundo acordo (40/2=20…  ela viveria até uns 39, 41 anos). Logo seria MUITO DIFÍCIL dela chegar aos 40, que é a do final do anime. Contudo eu tenho de lembrar que fiz a conta baseado na ideia dela chegar aos 100 anos de idade.

Se eu for levar em conta a expectativa de vida das mulheres japonesas em dados de 2014, temos a idade de 87 anos… Isso em 2014… Porque o mangá foi lançado em 2003. Dá para dizer com certeza que ela não chegaria até o final. A não ser que eu seja muito bonzinho e estenda a lógica ao extremo…

Coisa normal, se trata de um anime (shonen).

Personagens

No geral todos os personagens são rasos. Tiro L e Raito porque falo deles mais tarde. A Misa, o pai, os policias… todos são simples ideias (gerais) que fazemos de certas personalidades: como a do “pai japonês orgulhoso”, por exemplo. Nem adianta o argumento “Misa adora Kira porque ele salvou ela”. Vou ser ríspido: Não há qualquer densidade nestes que citei.

Um menino

O “L” é um caso à parte. Ele simplesmente  não existe.  Por que? Ele é um gênio, cresceu num orfanato, come doce… Legal né? Vou citar outro exemplo. Quem viu Monk percebe o quanto ele é um gênio.

Ao mesmo tempo que ele tem problemas psicológicos — como o Toc — não sabe lidar com pessoas, e é depressivo. L não é nem mesmo a Representação da Personalidade “geninho”, pelo simples fato, dele não sofrer. Ele não se pega às voltas com sua vida, consigo mesmo, com seus problemas.

Um enlouquecido

A única cena que ‘quase’ temos isso, é a que antecede a sua morte: “Raito, você é meu único amigo“, mas sem aprofundamento. Uma pena. Diferente de Mello e Near: Um enlouquece porque quer ser o primeiro, o outro é UMA CRIANÇA.

Salvo porém o Ryuk. Personagem mais humano e genial de toda a obra. Cruel, simples e vivo. Senti muita falta dele quando levou uns tempos sumido. Ryuk é uma mostra do que os autores são capazes.

Raito e o Sentido da Obra

Como vimos, falar de Raito é falar da obra como um todo. Se o decifrarmos, deciframos a estória. Para Rodi, Raito é a formação, ou mesmo, a mostra do que é um psicopata. Para o MagoGivan, é alguém que deixou-se dominar por si mesmo pelo poder (mal). Para meu outro amigo (o fã), é “quando alguém se deixa levar por uma ideologia“.

A arte é em DN é um Primor!

Não concordo com nenhuma. Psicopata é complicado, por que até pelo pouco que sei, ele teria de ter rompantes de desespero e até sua juventude ele não tem (“Raito é Perfeito”). Não posso dizer que ele “cedeu ao mal” porque o anime é tão raso que não trata temas como bem, mal, justiça — quando “L” e Raito disseram juntos “eu sou a justiça“, ou seja, “eu sou uma entidade universal”, dei de mãos. É o mesmo que dizer:  “vou só colocar dois adolescentes duelando.

Agora a ideologia me intriga. Por mais que não tenhamos “L, Mello e Near são o bem” e “Raito é o mal”, Raito luta pelo o que acredita. Mas ele acredita que será Kami: Também não é isso. Pensei na Teoria da Juventude. Raito é o melhor da turma, vive toda aquela formação social como todos os japoneses. Ao mesmo tempo que é filho do delegado, vivencia como ninguém a crença de “bandido bom é bandido morto“.

Me parece claro. Posso estar enganado mas se trata de uma discussão sobre a sociedade japonesa. O que ela faz com seus jovens, e o que a formação social os faz ser/crescer e fazer. Nós o vemos Crescendo, Vivemos a Vida dele em todas as fases (Raito é o narrador) até a última onde o vemos lembrando de “antes do Death Note“:

“O que seria de mim se não tivesse encontrado o caderno? Seria um policial como meu pai, cresceria, e viveria mais. Me arrependo?”

Conclusão: um Anime Político

Também é Shonen por não tratar nenhum assunto de forma séria: medo, loucura, pena de morte…

É meus amigos, ao meu ver humilde,  o sentido não é o duelo (que por ser tão presente, torna o anime um Shonen), a vida de um psicopata, tampouco os lados bem e mal. É um anime político, discutindo o futuro que essa formação social faz com os meninos/meninas daquele país — existem muitos Raitos por lá?

Diante de uma situação extrema, como diz meu Amigo, eles seguirão até o fim suas crenças, como aprenderam. Não pesarão nem mesmo os maus que poderão sofrer — qualquer ser racional-cruel, como parecia ser Raito, pesaria o sofrimento que talvez vivesse. Uma pena que por ser um Shonen (não fala de assuntos sérios), os autores não conseguiram passar bem essa ideia — qual o caminho desses jovens, senão a loucura?

Abraços!

Fontes:
Wikipedia
Wikia [Oficial de Death Note]
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