A Verdadeira História da Caneta Espacial da NASA de 10 Milhões de Dólares – Fato ou Mito?

Que tal uma curiosidade científica para fechar o ano de 2019? No meio de várias tretas e pendengas deste ano sobre a Terra ser plana (não vou responder), o Afontegeek sempre postou curiosidades de fatos científicos ou históricos, e esse mito da caneta espacial de 10 milhões de dólares vale à pena dar uma olhadinha. Será que a NASA realmente gastou essa grana toda? E será que os soviéticos simplesmente usavam lápis? Vamos descobrir!

A Verdadeira História da Caneta Espacial da NASA de 10 Milhões de Dólares – Fato ou Mito?

Então amiguinhos vamos falar hoje um pouquinho da história espacial, tema que particularmente muito me interessa e intriga desde os meus 18 aninhos. Aliás, recomendo muito que vocês visitem a página e o canal do Homem do Espaço, especialista brasileiro da área de Astronáutica. Assim como o famoso blog Brazilian Space que há anos envereda o espaço aonde a internet brasileira jamais esteve.

Mas aqui neste post vamos falar da lenda da caneta da NASA que custou mais de 10 milhões de doletas — e nossa fonte é um artigo em inglês do Scientific American.  Essa é uma teoria que circunda nas internets desde o inicio dos anos 2000, aonde os cientistas da NASA perdidos em resolver o problema de escrever aonde não se tem gravidade (a tinta da caneta não desce em gravidade zero) teriam gastado anos de pesquisa e 10 milhões de dólares para resolver esse problema — e não teriam encontrado solução. Em contrapartida, os pobres e inventivos soviéticos simplesmente começaram a usar… lápis!

Então… meio que eu já estou estragando a surpresa dizendo que essa história é um mito… Mas… como a NASA resolveu esse problema? E os russos realmente usavam lápis?

O que se usava no Inicio da Era Espacial (1960-)

Cápsula Mercury da NASA (inicio do programa espacial americano)

Pois muito bem, originalmente ambos (americanos e soviéticos) usavam lápis, de acordo com os historiadores da NASA. Um fato interessante é que a NASA comprou 34 “grafites mecânicos” do Houston’s Tycam Engineering Manufacturing em 1965 por $4,382.50 dólares, ou seja cada grafite custou a bagatela de $128.89 doletas!! Quando essa compra a estilo “Brasil construindo estádio de futebol para a Copa” veio à tona pela imprensa, a NASA começou a procurar algo mais barato para que os astronautas usassem no espaço.

Mas de qualquer jeito… lápis não são uma boa escolha para serem usados no espaço. Porque as pontas podem se quebrar e se soltar na micro-gravidade, podendo ferir tanto a tripulação quanto causar dano às espaçonaves. Além disso, lápis são inflamáveis, algo que a NASA queria evitar depois que a Apollo 1 pegou fogo.

O “capetalismo” surge!

Foto emblemática da Cápsula Apollo orbitando a Lua

Pois muito bem, uma empresa de canetas chamada Fisher Pen Company, e seu dono Paul C. Fisher, investiram 1 milhão de dólares para criar o que hoje é chamada de “Caneta Espacial”. Mas… essa grana não veio da NASA — a agência só se envolveu no projeto da caneta depois que ela já estava em patente.

Em 1965 (o mesmo ano que a NASA gastou quase 130 dólares por grafite) Fisher patenteou uma caneta que era capaz de escrever de cabeça para baixo, tanto no frio quanto no calor extremos (-45,56 °C até +204 °C) e mesmo debaixo d’água ou submersa a outros líquidos. Se estivesse muito quente a tinta simplesmente ficava verde ao invés do Azul que era o normal.

Fisher Space Zero Gravity Pen

Nesse mesmo ano, Fisher ofereceu a AG-7 ou “Caneta Espacial Anti-Gravidade” para a NASA, mas por causa do fiasco (principalmente da opinião publica) anterior da compra dos “grafites mecânicos” a NASA ficou meio hesitante se comprava ou não. Mas depois de testar intensivamente a caneta, a agência decidiu que iria começar a usá-la em voos espaciais no começo de 1967.

Como Funciona a Caneta Espacial?

Estação Espacial Internacional (2011)

Diferente das canetinhas normais que confiam na gravidade para que a tinta desça da esferográfica para o papel, o cartucho é pressurizado com nitrogênio por 35 psi (por volta de 24.607,44 kgf/m²). Essa pressão empurra a tinta em direção à esfera de carboneto de tungstênio na ponta da caneta.

A tinta também é diferente, e Fisher usou uma tinta que permanece num estado como um gel sólido, até que o movimento da ponta esferográfica da caneta a torna num fluido. E o nitrogênio pressurizado também previne que o ar se misture com a tinta evitando assim que ela de evaporar ou oxidar.

E os Soviéticos, o que fizeram?

Cápsula Vostok Soviética

De acordo com a Associeted Press (AP) reporta em fevereiro de 1968, a NASA comprou 400 dessas “Canetas Esferograficas Espaciais Anti-Gravidade” para o programa Apollo. Um ano depois, do outro lado da cortina de ferro… a União Soviética também adquiriu 100 canetas e mais 1000 cartuchos de tinta para usar nas suas missões espaciais Soyuz, de acordo com “United Press International”.

A AP também reportou que ambos, NASA e a agência espacial Soviética receberam o mesmo desconto de 40% por comprarem as canetas “no atacado”. Ambas pagaram $2.39 dólares por caneta, ao invés de $3.98 doletas.

Sergei Korolev

E aqui vai um pequeno “adendo”. Naquela época, diferente dos USA que haviam unificado todas as investigações espaciais numa única grande agência (isso feito graças a interferência de Kennedy), a URSS dividia em vários Bureaus de pesquisa espaciais e ICBMs; todos esses Bureaus lutavam entre si querendo partes do recursos vindos do Kremlin.

Nesta data da compra das canetas “em atacado” (1969), o Bureau de Sergei Korelev, responsável por todos os grandes feitos espaciais soviéticos começava a perder prestigio dentro da URSS por conta da morte do seu grande e genial projetista chefe ucraniano, em 1966.

Soyuz design de Sergei Korolev

Foi sob os comandos e desenhos de Korolev e seu Bureau que lançou-se Sputnik, Gagarin, Laika, e previa-se chegar a Lua. Uma pena que ele veio a falecer antes de fazer chegar à superfície lunar o que poderia ser o primeiro cosmonauta.

Voltando às Canetas Espaciais e aos dias de Hoje

E assim meus amigos e minhas amigas,  soviéticos e americanos, capitalistas e russos, desde o final de 1960 usam as canetas espaciais de Fisher, criando-se assim toda uma linha de canetinhas espaciais. Na verdade, surgiu uma nova linha chamada “Shuttle Pen”, usada pela NASA nos seus Ônibus Espaciais (chamados de Shuttles) e também pelos russos na sua maravilhosa estação espacial MIR.

E HOJE você amigo ou amiga, caso queira adquiria uma “Fisher Space Zero Gravity Pen”, pode comprar ela diretamente da AMAZON por 25 doletas, novinha! Tá achando que eu tô mentindo? Siga o Link e compre uma você também! Confesso que fiquei tentando em adquirir uma… mas com esse dólar alto… Quem sabe num futuro, não tão distante!

Soyuz acoplada a MIR

Ah… eu gosto tanto quando a Ciência e a Liberdade econômica dão as mãos… sempre aproximando as pessoas, sejam elas soviéticas, russas, americanas, brazucas… ou mesmo nós pobres mortais que não podem viajar para o espaço sideral!

Hoje o Falcon 9

Aquele Abraço!

Fontes: Scientific American [Link]  / Amazon [Link] Fisher Space Zero Gravity Pen

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