Desenhos (Cartoons) de Hoje em dia: Como são e Quais Assuntos Falam?

Sejam bem vindos meus bons amigos a mais um texto da série aonde eu explico assuntos da Cultura Pop para vocês. Dessa vez vou explicar um pouco os desenhos da atualidade — quais os principais temas que eles tratam! Boa leitura!

Desenhos (Cartoons) de Hoje em dia: Como são e Quais Assuntos Falam?

Como são os Desenhos (Cartoons) da Atualidade e Quais Assuntos eles Falam wall

Entendendo Assuntos Nerd e Otakus da Cultura Pop

O que são Animes Shonen, Shoujo e Seinen?O que são Animes feitos de Visual Novel? Quais são os tipos de Roteiros de Animes? – O que é uma Graphic Novel? – O que são Filmes Space Opera?O que são Épicos, Romances e Novelas? – O que são Animes e Cartoons? — Como são os Desenhos (Cartoons) da Atualidade e do que eles Falam? O que é Tsundere, Yandere, Kuudere e Dandere (Moe) dos Animes?

Bem-vindos a mais um texto da série “Entendendo Assuntos Nerds e Otakus”, como o “O que é Tsundere, Yandere, Kuudere e Dandere (Moe) dos Animes?“. No texto de hoje explico os temas mais comuns dos desenhos de hoje, como “no-sense”, “psicodélico” e “desenhos que falam de meus sentimentos”.

No Top 5 Desenhos da Atualidade (eu já dei dicas), sendo que nele o primeiro da lista é Hora de Aventura. A verdade é que “Adventure Time” é um verdadeiro marco para as animações ocidentais que até aquele momento eram em sua maioria bobas, tinham uma arte “igual” entre si, e quando não eram humor “no-sense” (como Bob Esponja) pendiam para o Épico — mas sem sangue, por causa da censura.

lenda de aang Avatar-Aang-Wallpaper-HD

Na verdade os épicos ganharam até bordão com o Ben 10, quando ele gritava “É hora de virar herói”. Aqueles eram momentos negros que só eram amenizados com “luzes” na escuridão como Avatar: A Lenda de Aang. Mas antes que alguém me pergunte, vou explicar um pouco os termos que utilizo porque acredito que eles explicam muito bem os temas dos desenhos da atualidade.

No-sense – O que é sem sentido?

Uma praia dentro d'água - no sense

Uma praia dentro do mar – no sense

Desde Bob Esponja que o no-sense virou característica básica em desenhos de comédia. Coisas bobas como “acender uma chapa no fundo do mar” viraram tão comuns, que a presença do no-sense e do absurdo passaram a ser viés de regra para as animações de Hoje aqui no ocidente.

Eu explico isso também seguindo o link, mas acredito que a maioria de nós está totalmente habituada em ver esse tipo de no-sense nos desenhos — desde que eles tenham alguma lógica. Mas atualmente os desenhos mais do que absurdo e no-sene, eles são…

Psicodélicos (Literalmente)

"Tigresa voadora surreal" kk

“Tigresa voadora surreal” do Titio Avô kk

Os animadores andam fumando o que hoje em dia? kk. Eu não sei se sou só eu, mas alguns episódios de Hora da Aventura, Titio Avô e uma penca de desenhos novos, além de terem uma palheta de cores multicolorida são psicodélicos. Falo isso porque no-sense (sem sentido) é além de coisas absurdas como uma esponja falante ou um coelho que pergunta “O que é que há velhinho?”. No-sense é o agir “sem saber porque age”, como explico no texto d’O Estrangeiro.

Só que muitas vezes os desenhos hoje, ao menos para mim, simplesmente não têm sentido. Finais que nada condizem com a história apresentada, ou simplesmente 11 minutos de nenhuma-coisa-ligada-com-a-outra. A verdade que o no-sense deixou de ser um “cair no absurdo” para muitas vezes não ter lógica alguma.

Mas há coisas boas também

Uma Maior Presença Feminina – A Mulher Maravilha Agradece!

Fortes mesmo? Só elas em Steven Universo

Fortes mesmo? Só elas em Steven Universo

Essa foi a grande vitória na minha opinião. Hoje há uma presença muito maior das mulheres (personagens femininas) tanto em desenhos de humor quanto em animações como Hora de Aventura e Steven Universo. As mulheres deixaram de ser suporte, ou “princesas que precisam ser salvas” para se tornarem as protagonistas dos desenhos.

Em Steven Universo por exemplo, as mulheres é que tem realmente os poderes por serem as Gems (mesmo que a autora diga que não são mulheres, todas são) e na Hora de Aventura as princesas em sua maioria tem seus poderes e muitas vezes resolvem seus problemas sem a ajuda do Finn — ou de mais ninguém.

A jujuba é uma gênia!

A jujuba é uma gênia “do mal”!

Temos uma princesa cientista (meio malvada), uma vampira — o autor recentemente disse que elas já foram namoradas em Hora de Aventura — assim como a mãe do Steven, a Rose, que era a grande General que liderou as Gems contra o ataque das “Gems do mal” para defender a Terra. E agora a Garnet — que é uma fusão de duas Gems mais fracas que se amam.

Isso sem contar outras animações como Star vs. As Forças do Mal, aonde a Star é quem é realmente poderosa e Star Wars: Rebels que a aprendiz de Anakin vai voltar — agora como mestra Jedi para enfrentar Darth Vader.

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Star de “Star vs as Forças do Mal”

Isso demonstra que as personagens femininas vieram para reclamar seu lugar ao sol nos cartoons — e vamos combinar, Steven Universo que é um desenho predominantemente feminino foi o que mais ganhou. E eu só posso dizer ATÉ QUE ENFIM OCIDENTE!!!

“Falando de meus Sentimentos” – A Psicologia nos Desenhos Animados

O MITO

O MITO

Essa para mim foi a grande mudança com os cartoons clássicos. Hoje praticamente todos os desenhos exploram uma carga de drama maior do que há alguns anos atrás. Não só o mestre Splinter nas novas Tartarugas Ninja ou a história do Steven Universo, mas hoje até “vilões” como o Rei Gelado da Hora de Aventura têm seus drama pessoais.

Esse “falar dos meus sentimentos” foi a grande virada nos desenhos, que deixaram de ser Jornadas do Herói aonde os heróis escondem seus sentimentos para enfrentar o mal. Um exemplo para deixar isso claro é o momento aonde Steven resolve que não vai contar a Connie que enfrentou aliens. Ele decide que não ia dizer a ela que as Gems malvadas (elas são aliens) queriam matar ele e destruir o mundo.

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Steven e Connie — AHAMMM kk

Basicamente ele tinha de ser forte, para não deixar a “namoradinha” correr riscos. Mas ele… não conseguiu segurar. Como esconder algo dela? Steven todo choroso contou tudo aos prantos e no desespero próprios de uma criança, ao que ela responde “Eu tenho o direito de escolher enfrentar isso com você ou não, Steven”.

Lembra o Peter Parker que demorou a vida inteira para contar a Mary Jane que ele era o Homem Aranha, porque tinha medo que ela morresse (como ocorreu com a Gwen). Ou mesmo o Batman com a Mulher Gato que somente há pouco tempo resolveu contar à Selina sua identidade secreta.

Ruby e Sapphire se amam e são as gems que formam a Garnet

Ruby e Sapphire se amam e são as gems que formam a Garnet

Essa mudança para um caráter mais psicológico que tenta mostrar às crianças que “falando dos seus problemas você pode resolver as coisas com mais facilidade” foi o jeito, na minha opinião, que os animadores ocidentais encontraram para “burlar” a censura que eles sofrem, por não poderem mostrar sangue ou mortes dentro de suas obras — o que diverge completamente da liberdade japonesa.

Desta forma, para dar uma carga mais dramática e mais densa às suas animações, eles deram um tom mais psicológico por conta da censura do sangue ser proibido, falando assim dos sentimentos das crianças e também mostrando o amor homossexual de forma bela e sem medo.

O lado Ruim disso Tudo – Nem sempre só conversar Resolve

Você não percebe, mas esta é uma cena de sacrífcio

Você não percebe, mas esta é uma cena de sacrifício

A coisa ruim dos desenhos hoje serem mais “sentimentais” é justamente o lado oposto. Por não serem Épicos — e não sentirem a necessidade de serem — eles não tocam mais em temas de valor ético, como sermos fortes quando é preciso. Afinal, há momentos que temos de aguentar o sofrimento e entendermos que ele faz parte da vida.

Não há mais o problema de “temos de ajudar o outro mesmo que morramos para isso” — o sacrifício. O sacrifício é tratado à distância — quase sem dor. Como se apenas o “amor” existisse, e morrer por amor fosse “lindo”.

Pobre rei gelado...

Pobre rei gelado…

Em outras palavras, os desenhos de hoje parecem esconder a dor, o sofrimento e que há maldades genuínas e pessoas genuinamente más no mundo. E esses desenhos estão escondendo isso das crianças. Como não há necessidade de estarmos atentos ao mal nos desenhos, de que há pessoas realmente ruins, tudo fica muito bobo ou cai para o drama no intuito de evitar mostrar que há sim maldades verdadeiras.

Um tema comum a isso é o próprio Rei Gelado de Hora da Aventura. Ele deveria ser o vilão. Você deveria entender os argumentos que o motivam a ser ruim — como Magneto ou Darth Vader te fazem entender — mas na verdade ele Não é Mal. Ele é simplesmente… carente. Alguém que por não lembrar do passado, não sabe o que causa a sua eterna carência. O Rei Gelado é digno de pena — e se trata do mais profundo dos personagens no desenho.

Jasper só aparece longos 2 episódios

Jasper e suas curtas aparições

Esconde-se das crianças o sofrimento e de que o mundo é um lugar que há dor e de que há pessoas más — assim como a “vilã” de Steven Universo que foi presa no mar e aparece muito pouco no desenho, ou o Lich de Hora da Aventura que você precisa procurar muito para ver um episódio com ele.

E escondendo essa dor que o sofrer verdadeiro nos causa, mostrando no seu lugar que o ponto de partida para superarmos qualquer mal que a vida nos impõe é “falando de nossos sentimentos”, esses desenhos acabam caindo no drama.

O Lich -- Raríssimo de aparecer... morreu ou não?

O Lich — Raríssimo de aparecer… morreu ou não?

Esse drama que é capaz de fazer os mais sensíveis chorarem — eu sempre choro com Steven Universo kk — acaba escondendo o fato de que para vencer um trauma pessoal, você precisa ser forte.

Por esconder as dores, esconder que pessoas podem te fazer mal, e de que há dor real na nossa vida, os desenhos de hoje esquecem de ensinar às crianças que diante dessas coisas, elas precisam ser fortes. Respirar fundo, aguentar, sentir a dor, vivencia-la para superá-la. Como um herói ou uma heroína.

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Hummmm queria que o mundo fosse assim…

Assim, por não mostrar a maldade do mundo ou os “vilões”, a dor e o sofrimento, caindo num drama que diz que “conversando se resolve tudo”, os desenhos mascaram das crianças o lado ruim da realidade. E sabemos que isso é falso. Resumindo: Muitas vezes só conversar não resolve.

Conclusão – Precisamos de Vilões nos Desenhos!

hora de aventura

Espero que tenham gostado do texto e que eu tenha explicado bem os temas mais presentes nos desenhos de hoje. Destes eu realmente gosto de ver uma maior presença feminina e da maior carga de drama e profundidade dos personagens — já que não dá pra ter sangue, né?

Mas confesso que não gosto desse psicodelismo — desse falta de lógica que eles apresentam às vezes. Agora o que mais preocupa é o não mostrar a maldade. O mundo também é malvado e às vezes só conversar não resolve — você não conversa com um ladrão e tenta fazer ele entender que pode arranjar um emprego.

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Mascarar essa realidade das crianças por não ter vilões genuínos (ou tirá-los de cena rapidamente) me preocupa — assim como dizer que se sacrificar “nem dói”. O caso é que Os desenhos PRECISAM de Vilões porque o Mundo Real é cheio deles.

É isso, espero que tenham gostado.
Aquele abraço a todos!

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