Batman: ANO UM – Critica: O Nascimento do Morcego – o Medo e as Motivações dos Seres Humanos

Olá amigos and amigas fãs de HQs, Graphic Novels e todas essas boas obras que tanto amamos. Depois de falar de V de Vingança e A Piada Mortal é finalmente chegada a hora da critica de Batman: Ano Um, escrita por um dos autores que mais admiro: Frank Miller. Espero que gostem!

Batman: ANO UM – Critica: O Nascimento do Morcego – o Medo e as Motivações dos Seres Humanos

01 BATMAN Ano1 wall

Sejam bem-vindos a mais uma critica de HQ do Afonte Geek senhoras e senhores. Depois das resenhas d’A Piada Mortal e de V de Vingança, é chegada a hora de falarmos um pouco do autor de graphic novels/ HQs que sou um eterno fã. É hora de falar de uma das obras de Frank Miller, de Batman: Ano Um.

Essa HQ na verdade foi lançada dentro da revista do Batman (entre os capítulos 404 a 407) no distante ano de 1987, escrita pelo gênio Frank Miller que é simplesmente o autor de Cavaleiro das Trevas — lançada exatamente um ano antes. Fica a curiosidades de que em algumas obras (como a própria Dark Knight) Frank Miller se torna um “mangaká”, como diria os fãs de mangás, e faz tanto a história quanto a arte. Mas em Ano Um ele deixou a arte a cargo de David Mazzucchelli — que mandou muito bem.

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Batman quebrando arvores velhas e colunas em péssimo estado

Nesta critica vamos tratar dos assuntos: Nascer do Morcego – uma História de Gordon; Os seres humanos por trás das Capas, O que nos Motiva a Agir e Animação Melhor que HQ?

Vamos ao post!

Nascer do Morcego – uma História de Gordon

Uma das referências que Batman Begins fez A Batman: Ano Um

Uma das referências que Batman Begins fez a Ano Um — Clique para Ampliar

Antes de começar, devo dizer que no decorrer do post vocês vão encontrar referências que outras obras da Cultura Pop fizeram à Ano Um nas imagens. Referências que aparecem no filme Batman Begins de Nolan por exemplo.

Dito isso, quem leu Ano Um ou viu a Animação que vou também falar um pouco, nota de cara, que a história fala também sobre o Comissário Gordon — que na época nem comissário era. Essa referência ao Gordon eu diria que foi a grande motivação por trás da série Gotham e inclusive o próprio começo dele também em Batman Begins.

James Gordon

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E porque a história do Batman fala tão fortemente do Gordon? Simples. Frank Miller é um autor que trata de dramas humanos, de problemas de pessoas comuns, como eu e você. Coisas do nosso dia a dia, que tomam suas proporções para aqueles que a vivenciam.

Como Gordon que (provavelmente) depois de se envolver com algum problema da corregedoria na antiga delegacia — talvez por “dedurar” policias? — acabou indo parar no inferno (Gotham) e pedia a Deus para que sua esposa Barbara NÃO estivesse grávida.

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Clique na Imagem para Ampliar

Como criar uma criança num lugar que a polícia é tão corrupta (ou até mais) quanto aqueles que deveria prender? Aonde psicopatas atuam na SWAT e num lugar que policias dão uma “lição” no novato por ele não se “encaixar”, lembrando a ele de que tem uma esposa grávida. Como viver nesse lugar?

Bruce? Não. Batman

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Do outro lado… Bruce voltando de anos de reclusão (dezoito para ser preciso) após seu árduo treinamento para enfrentar o “inimigo”. E aqui vale citar coisas “que não são ditas“. Bruce é um homem que para enfrentar seu trauma, PRECISA ser Batman. Em outras palavras, Bruce morreu no dia em que seus pais morreram e Batman Nasceu exatamente na hora que seu Pai “fez” um morcego atravessar as janelas de sua mansão, enquanto ele pensava que a vida, perdera sentido.

Porque é importante falar disso? Porque muitas pessoas superam traumas viajando… ou o tempo passa e nós esquecemos. Algumas constroem outra família e outras apenas seguem vivendo. Para Bruce a coisa não foi assim. A vida se esvaziou no dia fatídico — e só ganhou sentido novamente, quando o morcego lhe apareceu como uma sombra de seu passado… do seu Pai que ainda morto, nunca lhe deixou de dar presentes.

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Nesta cena a Animação de “Batman Ano: Um” dá um Baile e é muito melhor de ver animado

Batman é um louco que para superar seu trauma, se tornou Batman. Bruce Wayne é uma máscara. Bruce é sua identidade secreta que esconde um homem convicto de que a injustiça nunca dorme — e que ele precisa fazer justiça a cada noite (sempre à noite) para superar a dor que lhe aflige todos os dias.

Dando assim sentido à sua vida e dando sentido à vida dos que lhe cercam. Isso é ser humano meus amigos/as — e tanto Jim quanto Bruce são pessoas como eu e você.

Os seres Humanos por trás das Capas

Sarah e Gordon -- Heróis... humanos. Também Erram

Sarah e Gordon — Heróis… humanos. Também Erram

A HQ então nos mostra os pesos dos lados de cada um, tanto de Gordon quanto de Batman. De Jim tendo de constituir família, de não resistir e que acaba traindo a sua esposa grávida com uma mulher linda e inteligente — e tendo a coragem de confessar e tentar continuar seu casamento. Mas sempre com medo de criar seu filho nessa imundice…

E de Bruce que finalmente consegue voltar à vida SENDO Batman — exagerando no primeiro encontro como o inimigo; salvando policiais que atiraram nele desarmado sem pensar duas vezes; de dar sorte de principiante e mostrando aos criminosos da cidade que ela não é sua, que a vida das pessoas não é apenas “lixo” que pode ser queimada, porque afinal, quem vai reclamar se todos estiverem mortos?

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“Até ralé tem família”

Cada um dos dois, heróis em seus estados naturais, com suas falhas, erros e mesquinharias. Como o fato de Batman saber que precisa de alguém da policia para ajudá-lo, porque QUASE morreu escapando do prédio em chamas. E que essa pessoa seria o próprio Jim…

Ambos mais do que “super-heróis” com “super-poderes” e “super-carros” como estamos acostumados em ver. Ambos Pessoas, Homens, seres humanos com suas fragilidades, forças e principalmente demonstrando o que nos dá sentido as nossa vidas.

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Planejando um Aliado

Estes são os heróis de Ano Um.

O que nos Motiva a Agir?

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A Justiça é para Todos

Mas… e que senso de justiça e moral “virtuoso ao extremo” é esse que NOS motiva a agir? A sermos “heróis e heroínas”? Do Gordon que prefere não se corromper — apesar de trair sua esposa com Sarah. Ou do Batman que jamais se torna uma assassino, porque são esses que ele deve caçar e mostrar que a Justiça e o MEDO estão logo ali.

O que motiva pessoas em meio a este inferno e que mesmo assim continuam corretos? A questão toda está na motivação de ambos — de que É PRECISO continuar vivo. Esta necessidade é que dá sentido a vida. De que É PRECISO cuidar de sua esposa, do seu filho que vai nascer, para que aonde ele nasça seja um lugar melhor. Mesmo que aparentemente sem esperança.

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Esperança essa que muitas vezes vem do MEDO. Medo que Batman escolhe compartilhar com aqueles que tolamente nada temem. Por mostrar a esses que todos temos algo a temer, que todos nós sofremos e que o mundo não é o paraíso de nossas vontades — que às vezes entra um maluco fantasiado de morcego na casa de mafiosos, corruptos ou gigolôs — para levar a eles o Medo e a Dor de que a Justiça é para Todos.

E esse sinal de LEVAR O MEDO com suas próprias mãos, de que a Justiça Existe para Todos, trazida por apenas um Homem, uma pessoa, dá o sinal de esperança que aquele policial precisa de que a cidade pode melhorar. Daquela moça que adora gatos e que se prostituía (com sua irmã?) que a vida pode sim, melhorar para ela também — mesmo que do jeito que ela ache melhor.

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Esse sinal de esperança vive em nós, seres humanos, enquanto não desistamos de lutar — enquanto houver um Batman em meio ao Inferno, mostrando que sua luta pessoal para vencer seu trauma é a mesma luta de todos nós para vencer o mal que habita nossos corações, nossas vidas e nossas cidades.

Esperança

Esperança

E que esta luta eterna contra este mal é o que preenche e dá real sentido as nossas vidas. Até o dia que se possa estar em paz.

Animação Melhor que HQ?

Detalhes

Detalhes

Aqui um toque Diferente. Eu geralmente falo da arte da HQ e faço comparações — como as das imagens — quando faço criticas de novels. Desta vez o meu comentário em especial é para a Animação que foi feita de “Batman: Ano Um” em 2011. Na maioria das vezes as animações de Novels pecam porque não “contam” todos os detalhes e deixam batidos “pensamentos chave” ou “pensamentos poéticos” de alguns personagens — coisa natural.

Mas a animação de Ano Um tem um ponto positivo. Por conta da HQ ter sido muito curta — e com poucos capítulos — algumas partes na HQ foram simplesmente “contadas” e não mostradas — coisa que a animação mostrou em arte.

01 BATMAN Ano1 #1 (de 4) - página 20 editada

Detalhes

Sem contar o grande momento chave do Nascer do Batman, que apesar de ter ficado com uma arte linda, não deu o impacto tão grande quanto a Animação genialmente mostrou — do morcego entrando e pousando no busto de Thomas Wayne.

Eu diria que pela HQ ser curta (só 120 páginas) e por ter muita história para contar a Animação acabou se saindo melhor, mesmo não mostrando alguns pensamentos — mas sem esquecer dos que eu consideraria como chave. Exatamente por isso a Animação passa mais sentimento e emoção, enquanto a HQ é mais detalhada e serve para aquele fã que gosta de saber tudo.

Conclusão

Outra cena que Batman Begins se inspirou

Outra cena que Batman Begins se inspirou

Se alguém me perguntar “#AdminTB, Que histórias do Batman eu tenho de ler para entender um pouco ele?”. Se você for total leigo e nem chegou a ver a animação clássica Batman Animated Series… eu diria para você ver a Animação de Batman: Ano Um. Se gostar, dê uma olhada na HQ que tem muitos detalhes interessantes que a animação não contou, porque… bom são mídias diferentes.

Diria para você ler também A Piada Mortal. Falo isso porque tanto Ano UM quanto A Piada são ATÉ HOJE Cânone na história do Batman — ou seja, fazem parte da cronologia oficial. Claro… que valem muito à pena também porque… oras… são obras de arte.

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E Ano Um como vocês viram é referência para quase tudo que envolve o Batman na Cultura pop, além de ser genial por contar de forma humana como um herói nasce — o Nascimento do Morcego.

Aquele abraço a todos!

Galeria de Imagens

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