O Estrangeiro de Albert Camus – Indicação: O No-sense e a Indiferença do Mundo

Finalmente estamos terminando mais uma série de indicações de literatura. E no fim, vamos falar um pouco do livro O Estrangeiro de Albert Camus. Nessa indicação abordamos um pouco de no-sense (sem sentido) e da indiferença. Boa leitura a todos!

O Estrangeiro de Albert Camus – Indicação: O No-sense e a Indiferença do Mundo

O estrangeiro Albert Camus

Mas seu AdminTB, como você conheceu O Estrangeiro de Camus? Alguém pode chegar para mim de repente, e me perguntar. A resposta é que como vocês sabem (ou não), eu faço filosofia, então certo dia um professor de ética resolveu abordar a leitura deste livro na sala de aula.

Fizemos (cada um de nós) um artigo de algumas páginas, mais ou menos uma resenha sobre ética e o livro escolhido — como vemos, abordei O Estrangeiro. OBVIAMENTE que não farei aqui uma resenha enorme e sim uma leve indicação, abordando os temas que considero mais relevantes no livro.

Mas primeiro… A Sinopse!

O estrangeiro Albert Camus 2

A estória gira em torno de Mersault. Um homem com uma vida mediana, que logo no começo do livro, enquanto ainda namorava Marie (da qual recebeu uma proposta de casamento) acabara de saber que sua mãe morreu. Mas Mersault… era diferente. Na verdade ele somente soube que sua mãe havia morrido — e assim como na proposta de casamento de Marie, tomou o ocorrido com sua costumeira indiferença.

Vou falar de três assuntos aqui nesta indicação: Indiferença, No-sense e Ética (mais precisamente, como vemos e nos damos ao encontro com o outro, se com comportamentos habituais, ou seja, com atos que todo mundo espera, ou se simplesmente, alheios a tudo).

A Indiferença

O estrangeiro Albert Camus 4

Sobre a indiferença, Mersault era realmente um cara alheio. Sabe,  uma pessoa que “se algo não me afeta ou não sinto que não me afeta, então tanto faz”. Ele sempre foi assim para com tudo e todos, e nunca ligou para muita coisa. Foi com indiferença que ele recebeu a proposta de casamento, foi com ela que recebeu a noticia da morte de sua mãe.

Não quer dizer que não amasse as duas (Marie e sua mãe)… Eu de cá tenho minhas suspeitas. Mas de certo pouca coisa lhe afetava.  Aliás, somente coisas que ele percebesse na hora, sentimentos que lhe sobreviessem como de sobressalto, algo que o fizesse acordar…

No-sense (sem sentido)

O estrangeiro Albert Camus 3

Foi o que acabou acontecendo. Ele foi pego num “acaso”, e diante do mesmo, ele mata um homem. A explicação que ele nos dá é: “matei por causa do sol”. No-sense. Eu abordei o assunto na Review do Anime de Suzumiya Haruhi, quando simplesmente acontecimentos sem sentido algum, sem uma razão aparente — ou discernível — nos levam a agir de forma alheia ao outro.

Se Mersault não se afetava com (quase) nada, mas simplesmente com acontecimentos que ele mesmo não poderia prever que ocorressem, como o sol que muito forte lhe ofuscou (foi no afã do momento que ele matou o homem). Acontecimentos assim ocorrem. Como matar porque se quer o lápis de volta, ou porque bateram no seu carro, e você descontroladamente (tem um revolver) o saca e atira.

Eu poderia até dizer “sem controle”, mas o termo bom mesmo é “sem sentido”. Algo que nos leva a agir por instinto, sem compreensão. Aonde simplesmente compramos certo sentimento que nos toma de sobressalto. E como eu disse por ser alheio, acaba sendo natural agir fora do habitual, fora do esperado no âmbito ético para com o outro.

A indiferença é do mundo para conosco, de nós para com o mundo

Monólogo O Estrangeiro, com atuação de Guilherme Leme e direção de Vera Holtz feito em 2012.

Monólogo O Estrangeiro, com atuação de Guilherme Leme e direção de Vera Holtz feito em 2012.

É natural que logo Mersault além de preso, fosse finalmente julgado “moralmente” pela sua indiferença. Porque não sentiu a morte da mãe, ou pelo fato de parecer realmente não amar Marie (ou até amasse, só que casar era algo que não o afetava, nem que sim, nem que não).

Era como se finalmente a sociedade acordasse de quem era Mersault e iniciasse a julgá-lo não apenas pela morte, mas por ele pouco cuidar do outro. E assim ela mesma, sem entendê-lo, sem entender suas crenças e disposições diante do mundo, tratou-o finalmente com indiferença, tornando ele, alheio, sozinho diante do mundo.

Conclusão

Albert Camus

Albert Camus

Vejo uma metáfora aí. Na verdade este acordar diante do outro (da sociedade diante de quem era Mersault) me recorda de Edward Mãos de Tesoura, quando finalmente todo mundo percebe que o Edward poderia sim, ser perigoso, fora do comum, do habitual — como Mersault agia e pensava.

Acho que é como se Camus nos falasse (peço licença aos sabedores do tema) que nós todos, somos alheios ao outro, ao nosso próximo. Nós todos não nos importamos realmente em conhecer quem é a pessoa ao nosso lado, porque simplesmente não conhecemos realmente, quem nós somos. Todos nós somos indiferentes ao outro, e sim, agimos por simples conveniência, por simples hábito — pelo que é esperado.

E quando confrontados, quando diante daquilo que não nos é habitual, nos afastamos, repudiamos simplesmente. “Pode-se dizer, que parece ser Mersault o próprio mundo, o qual quando ambos se olhando no espelho, não se compreendem, porque agem sem se compreender.”

É isso pessoal. Espero que tenham gostado e leiam o livro!
Abraços!

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