V de Vingança – Critica da HQ: Uma Apologia ao Anarquismo

Bem-vindos meus amigos/as à critica da mítica HQ V de Vingança (V for Vendetta), escrita por Alan Moore com arte de David LLoyd. Essa review se baseia na última edição especial feita pela Panini.

V de Vingança – Critica da HQ: Uma Apologia ao Anarquismo

V de Vingança wall

Bem senhoras e senhores, depois de muitos atrasos e de realmente estar “enrolando” para fazer esta critica, cá estou para a primeira review de HQ feita aqui no Afontegeek. Já temos um texto aonde eu trago uma visão do Batman na Cultura-pop (um herói em meio aos deuses do Olimpo), mas como crítica de HQ esta é primeira — agradeço aqui ao amigo Antônio por me emprestar a HQ, valeu fera!

mas Antes a Sinopse da HQ

V de Vingança - v salva eveyA história se passa num Reino Unido de 1997 aonde depois de uma guerra nuclear, um partido totalitarista alcançou o poder. O governo se divide em “partes do corpo” — nariz, olhos, cabeça, voz — e controla tudo o que as pessoas podem ou não ser (controle da mídia, policia secreta e até mesmo um campo de concentração que existiu  antes de 97). É neste contexto que aparece V, um cara vestido de Guy Fawkes que começa a assassinar altos escalões e fazer outros atentados, deixando o governo totalitarista em desespero.

“…à semelhança do que escreveu Hannah Arendt no seu livro “Origens do totalitarismo”, de 1951. Existe também um sistema de monitoramento mediante o uso de câmeras, nos moldes de 1984, de George Orwell, escrito em 1948, quando o CFTV ainda não existia tal como é hoje.” (Wikipedia)

Antes de ir aos “finalmentes”, quero frisar alguns pontos:

Coringa é você?

Coringa… é você?

Primeiro, se trata de uma review com Spoilers, então estão avisados; segundo, que diferentemente do que o filme pode passar (ao menos para mim), a HQ de Moore não trata de “conquista para a democracia motivada pelo povo”, mas antes de Anarquismo, como vamos ver com calma; e por último, uma motivação individual parece poder afetar a muitos.

Este texto está divido em: A arte parece ter Referências Interessantes…; Em que momento ocorre o “Momentum”? Estas e Aquelas motivações Pessoais; Quem é V e Qual o Sentido da obra – Apologia ao Anarquismo

A arte parece ter Referências Interessantes…

V de Vingança - batmanPois é pessoal, este é um comentário que eu tenho quase certeza, vocês dificilmente vão ver por aí. Lembrando que se trata de uma opinião minha apenas… mas, a arte, os focos de escuro, os locais aonde o V fica logo no começo da HQ, e o pequeno fato do V ter salvo a Evey (que ia se prostituir pela primeira vez, mas provavelmente seria morta por um policial)…

Todos os lapsos, as poses do V com sua capa com nuances entre o negro e/ou o azul — a questão de estarmos primeiramente ligados aos agentes policias do “nariz”, ou seja, “investigando” para sabermos quem é o V, e a sua motivação por trás do assassinatos dos membros do governo…

V de Vingança - justiçaOu seja, temos um alguém que abandonou literalmente o censo de justiça por um senso de inteira vingança — quando vemos ele falando com a dona Justiça e dizendo “casei-me com outra dama, a Anarquia” — por um lado um ser de caos, por outro um ser que faz o que pensa ser o certo (salvar Evey). Será mesmo que só eu lembrei num certo Vingador mascarado que anda à noite em Gotham?

Na realidade toda a arte, primeiras questões da história (detetives) e o aparente caos que V causa sem motivação dele/ ou acima dele são questões que retomam às HQs do morcegão — sim a referência até metade da história de Moore, para mim, é o Batman.

V de Vingança - Coringa 2Essa referência vai deixar de existir quando Moore salta para algo maior além do caos (ele ser meio… Coringa… a máscara do Guy Fawkes, os tons negro-azulados do começo da HQ), a vingança pessoal de ter sido submetido àquelas experiências — O Homem do Quarto numero V (cinco), quando…

Em que momento ocorre o “Momentum”?

V de Vingança - genialidade começa… finalmente V de Vingança “começa”. Por mais que Alan Moore seja um “gênio” e goste de deixar isso claro com todas as suas referências à Shakespare e a tantos outros autores que ele admira, a sua história começa de fato, quando Evey é presa por V, para prepará-la a um possível “sequestro”.

Quando conhecemos a história da moça lésbica que começa a sua carta dizendo “eu não te conheço, mas mesmo assim eu te amo”, por ter sido perseguida, por tiraram dela seu grande amor, e por fim, ter ido parar no quarto ao lado do de V.

V de Vingança - genialidade começa 3 confrontando VToda aquela cena, a dramaticidade ao qual Evey passa (V é louco, só para constar) unida ao relato da moça, de sua vida, de como ela estava bem até o governo repressivo e opressor (de fato, como alguém que entra na sua vida sem ser chamado e te destrói por completo) tê-la aprisionado naquele campo de concentração.

E o momento posterior, quando Evey descobre que era V, quando Evey se “liberta do aprisionamento mental”, porque na realidade o maior presente que pode-se possuir é sua liberdade. Deste “Momentum” em diante, finalmente começa V de Vingança.

V de Vingança - genialidade começa 4A arte muda, os questionamentos pessoais (da mulher que vira prostituta após a morte do marido, do detetive que descobre que sua amante era cientista no campo de concentração de V) avançam. Moore se mostra em “seu si” — o ser humano é bonito, mas também feio, é belo mas também terrível.

Se a HQ parecia ser “pesada” pelas mortes, agora com elas também ao redor, vemos o que de fato o caos pode fazer: destruir, para depois como V argumenta, vir outro e reconstruir.

Estas e Aquelas motivações Pessoais

V de Vingança - motivações 3 - anarquiaO que nos motiva a agir? Quais motivações pessoais realmente nos fazem “mudar de crenças”, quando na realidade, tudo não são apenas “motivações pessoais”? O que de fato fez V agir foi primeiramente a vingança, apoiada pela sua ideia de “destruir para que alguém reconstrua”?

Eu vou deixar essas questões aqui, porque em V o que mais vemos são “razões pessoais”. Por que e como a cientista resolveu fazer aquelas atrocidades (os relatos dela no diário), o marido desgraçado que no fim fez falta a mulher que sozinha no mundo, não tinha mais o que aonde ir… o detetive que amava sua cientista “maldita”; a esposa dominadora que queria  seu marido morto, enquanto era dominada por outro…

V de Vingança - motivações 2Quero deixar essas questões aqui, porque penso que Moore nos deixou muitas razões pessoais, mesmo que não falando delas (elas não se fecham, elas não têm um fim de existir). Mas as friso, porque ao término da HQ, é como se somente a razão de V (V de Vingança) fizesse sentido…

Quem é V e Qual o Sentido da obra – Apologia ao Anarquismo

V de Vingança - genialidade te pega dentro de casaComo se fosse preciso agir por instinto de Vingança, por instinto de caos para destruir a todo custo, aquilo que te privou de algum modo. Como um alguém que vive com você, mas que nunca falou contigo, e de repente, te prende, te mata, e te destrói.

V que queria apenas a SUA Vingança, tinha como um escudo a sua crença dura (a crença de Moore) no Anarquismo. Aonde é preciso simplesmente destruir o governo, porque é ele que te cerceia e te toma de assalto. Parece um argumento simples — Vingança pessoal, Destruir o governo — e V (Moore) segue toda a cartilha Anarquista de pequenos atentados até que o governo caia.

Valhalla: para os heróis do Anarquismo

Valhalla para os heróis “destruidores” (do Anarquismo).

Este é pra mim o grande “sentido”, o grande “porque” de V de Vingança. Aonde para Moore, o estado chega a ser tamanho monstro, que cerceia e toma a sua “liberdade concreta”, que é preciso atos de desespero, atos de caos, Atentados, para destruir o “mal com o mal” — Sendo V esse próprio Caos; mas que não merece viver no mundo novo, utópico, que se levanta após ele. Não pode haver Caos aonde há Paraíso.

Conclusão

Estas e Aquelas motivações -- como entender que sua amada era uma assassina?

Estas e Aquelas motivações — como entender que sua amada era uma assassina?

Cabou-se! Eu tive de ler um pouco sobre Anarquismo para fazer esta review, e na verdade, não foi com espanto que li Bakunin (grande ideólogo anarquista) defendendo que é preciso destruir o Estado “à força” para que haja o paraíso de liberdade concreta (tal qual como V fez).

Mas fiquei espantado de ver que Bakunin (como eu), acertou que o comunismo leva à ditadura, e nenhum “governo larga o osso quando chega lá”. Assim como quase caí para trás, ao ver que na lista de “Anarquistas famosos” estava um tal de Alan Moore, rs.

As vezes... só se caminha para o fim, sem entender coisa alguma.

As vezes… só se caminha para o fim — Quando se é impossível de entender as motivações cruéis daqueles a que já se amou

ps: Pessoal, quero deixar frisado que não sou Anarquista e que tentei falar de forma “analítica” do assunto — e que hoje temos muitos movimentos anarquistas que focam a educação em vez de “destruição do estado através de atentados”, para chegarem na sua utopia. Eu como positivista… só “vejo para prever”, rs.

Abraços, espero que tenham gostado!

Galeria de Imanges

Fontes: Wikipedia

V de Vingança: [Link]
Anarquismo: [Link]
Guy Fawkes: [Link]
Mikhail Bakunin: [Link]

2 Respostas para “V de Vingança – Critica da HQ: Uma Apologia ao Anarquismo

  1. Um abraço anarquista de Rio de Janeiro! Observe o gibi de Batman vs anarquista. Idos de 1991…. E o jornal anarquista Libera… Amore mio , do celip RJ. Meados de 90, 2000. No rodapé havia esse personagem! Curiosidades. Saúde e anarquia!

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